dezembro 03, 2006
Crianças de todo o mundo, uni-vos!
«(…) Conscientes da importância dos mais pequenos nas compras, os marketeers desenvolvem estratégias específicas para captar a sua atenção».
Talvez isso explique a infantilização da mensagem publicitária. Os putos adoram ver anúncios, aliás, é das poucas alturas em que param em frente ao televisor com um ar perfeitamente deslumbrado. Decoram os guiões e reconhecem as marcas na rua, nos centros comerciais, em todo o lado! Apontam e gesticulam sempre que isso acontece. E lá vem a música do anúncio… Isto não é muito diferente do que acontecia na minha altura. Quem não se lembra de anúncios como: bic laranja, bic limão; pasta medicinal couto; tuli-tuli-tuli-creme; bombocas só há estas são pra mim, etc. É pá, mas não se saía disto: doces, gelados, refrigerantes, enfim, bijutaria... E lá chateávamos os pais que preferíamos uma caneta bic à molin, e que o detergente JUÁ trazia soldadinhos de plástico. Agora, decidir na compra de automóveis, destinos de férias, computadores! Ou está tudo a ficar louco ou, então, estamos mesmo nas mãos delas, das nossas queridas 'criãcinhas'.
Publicado por JJ às 02:36 PM | Comentários (2)
novembro 21, 2006
AFINAL O ESPÍRITO É UM ESQUELETO
Diálogo no carro, ao final da tarde:
- Ó pai, todas as pessoas têm espírito?
- Sim.
- Mas o que é um espírito é um fantasma?
- Não, é um… quer dizer…
- Ah! É meio pessoa e meio fantasma.
- Não! O espírito é tudo aquilo que pensamos, sonhamos… Estás a ver não é?
- Pois… Então quer dizer que o espírito está dentro dos ossos!
Publicado por JJ às 09:42 PM | Comentários (2)
setembro 10, 2006
O INSTINTO PERANTE A QUEDA
Faz cinco anos que ocorreu o atentado sobre o World Trade Center. A aproximação da efeméride tem provocado uma autêntica enxurrada de textos, documentários, filmes… O acontecimento marcou-nos de tal modo que nos impele a participar nele e dizer qualquer coisa de nosso. Como se estivéssemos de luto. E, de facto, vivemos o mesmo luto. É inegável que perdemos alguma coisa com o 11 de Setembro.
Há cinco anos atrás o meu primeiro filho tinha ainda alguns meses. Durante o dia enquanto assistia às imagens brutais, lembro-me de pensar quase instintivamente: “que mundo vai ser o do meu filho”. É lamechas, é óbvio, é primário, mas, é assim. A paternidade dá-nos a volta e subverte a nossa relação individual com o Mundo. Em certo sentido ela deixa de ser individual e passa a ser algo de diferente. De facto, para além da (i)rracionalidade, e de todos os sentimentos que gera, acrescenta-se um outro que se torna dominante: é uma espécie de pulsar instintivo de protecção. Naquele dia senti esse arrepio.
A consciência da fealdade do mundo global (e da sua crescente inumanidade) instiga-nos a construir uma bolha para os nossos filhos. Rodeamo-los de afectividade, de fantasia e de muita facilidade. Uma variante doce da quinta dimensão que se auto-imuniza face à realidade real. Hoje uma reportagem da revista Notícias revela as conclusões de um estudo que alerta para as consequências nefastas desse mundo paralelo que está a criar uma geração de “atadinhos”. Esta forma de educar globalizou-se com a mesma facilidade da CocaCola ou dos hambúrgueres. E penso que isso se deve ao agudizar desse tal instinto, para o qual o atentado sobre as torres gémeas se tornou um marco simbólico. A violência entra-nos em casa por todos os canais e nós esforçamo-nos até à exaustão por fechar todas as portas. Ao fazê-lo podemos estar a criar uma cegueira. O que acontecerá quando os nossos atadinhos se fizerem à vida? Recusá-la-ão? Provavelmente sim, e da pior maneira. Fechar-se-ão ainda mais… até à indiferença em relação a tudo o que esteja fora, ou seja, a própria realidade. Ou então, rebelar-se-ão. Será justo projectar neles essa esperança? Serão os filhos a nossa última utopia? Investimos tudo na sua felicidade e ansiamos que no futuro ela se concretize de algum modo.Publicado por JJ às 10:26 PM | Comentários (1)
agosto 15, 2006
ADORMECER O MANO
Ontem o irmão estava uma fera para adormecer. Não conseguíamos pregá-lo à cama. Ainda pensámos atá-lo com umas cordas, mas desistimos da ideia. Os nós não resistiriam ao furacão e não valia o trabalho :)) . Nisto o pequenote vira-se para a mãe e diz: «Vai descansar que eu adormeço o mano». Deixámos os dois entenderem-se e fugimos do quarto. Começámos a ouvir uma doce cantilena de embalar que aos poucos foi abafando os guichinhos do bebé... E não é que adormeceu mesmo. Tão excitado ficou com o feito que correu para nós a contar a boa-nova. O pior foi convencê-lo a voltar para a cama. Nem pensar em deitar-se depois de todo aquele esforço em adormecer o mano. A vitória valeu-lhe uma sesta por dormir.Publicado por JJ às 09:38 AM | Comentários (1)
agosto 04, 2006
LÍNGUA TRAIÇOEIRA
Conversa entre pais a propósito de um tal fulano: "Bem esse tipo tem mesmo uma língua venenosa, é preciso ter cuidado com ele". Com uma expressão aterradora o pequenote, que estava a ouvir a conversa, vira-se de repente e exclama abismado. "O quê, a língua dele deita veneno!"
Publicado por JJ às 06:33 PM | Comentários (1)
agosto 02, 2006
PARA ONDE?
Começou o mês de Agosto.
Fecharam os infantários e as escolas.
O que é que vamos fazer?
Talvez fugir!
Publicado por JJ às 11:50 PM | Comentários (0)
julho 23, 2006
MÃOZINHAS TERRORISTAS
Mãozinhas pequeninas
Vêm a esvoaçar e a rodopiar no ar
Todas esticadinhas
Com os dedinhos a apontar
São tão delicadinhas
Que só apetece apertar
Mãozinhas traquinas
Querem fazer festinhas
Na bochecha da mamã, na bochecha do papá
Que lindas mãozinhas
Tão suavezinhas
Festinha aqui e acolá
Beijinhos e beijocas
Risos e mais risotas
E as mãozinhas de encantar
De repente lembram-se de agarrar
Os cabelos da mamã e também do papá
Ui! Ai! Que grande puxão
E os cabelos já lá vão
Entalados nos dedos, a cirandar pelo ar
Cuidado! Lá vêm elas
A voar em nossa direcção
Com toda a precisão
Não querem falhar o alvo
Fujam, fujam
São pequenas bombinhas que nos vão acertar
Publicado por JJ às 06:21 PM | Comentários (1)
julho 22, 2006
RETORNAR
À medida que crescem vamos retornando a um tempo perdido no nosso tempo. De repente lembramo-nos de coisas que já não nos lembrávamos. Coisas que perdemos e que voltamos a encontrar neles. Nos seus gestos, nas suas experiências, nos seus passos pelos mesmos espaços que tanto pisámos… Em tudo isso sentimo-nos a passar para eles. Aos poucos a memória vai-se descarnando de nós e molda-se ao presente. Tornamo-nos espectadores deslumbrados com o que tanto temos e que, sem dar por isso, quase íamos esquecendo.
Publicado por JJ às 12:32 AM | Comentários (0)
julho 19, 2006
VENDE-SE GUIÃO PARA FILME DE TERROR
Conversa matinal no carro:
- Pai, sonhei que tinha comido a minha carne.
- O quê, filho!
- Fiz um buraco na perna e comi a minha carne.
- E não te engasgaste?
- Não, mastiguei muito bem. Mas sabia um bocado mal.
Publicado por JJ às 12:24 PM | Comentários (0)
julho 18, 2006
MIMINHOS DE BEBÉ
Carregamos o peso dos dias com a força do teu leve sorriso.Publicado por JJ às 10:18 AM | Comentários (2)
julho 17, 2006
VERÃO QUENTE
Mais de 30 graus, o que é que vamos fazer com as crianças antes que torrem em casa? Vamos à praia, é claro! O pior é que neste fim-de-semana todos os arrabaldes lembraram-se de fazer o mesmo e rumaram para a linha ou para a costa. Escusado será dizer o que passámos até chegar ao minúsculo rectângulo de areia que ainda conseguimos ocupar. A praia transbordava de gente que se acotovelava para poder molhar o pezinho. A aglomeração era tal que mal conseguimos esticar as toalhas. Fomos quase empurrados para um delírio colectivo em que toda a gente se esganiçava ao sol à procura de não sei bem o quê, provavelmente, à procura de uma sombra (da sua?!?). Estranho este país que perdeu o espaço público nas praças e largos das cidades e recauchutou-o na periferia das grandes aglomerações comerciais. No Inverno o português vai ver montras e no Verão vai a banhos. A diferença é que tanto num caso, como noutro o espaço individualizou-se, basicamente as pessoas amontoam-se à procura do último modelo de qualquer coisa. Não interessa o quê, desde que seja o último modelo… para ver, para experimentar antes de comprar (se alguma vez o comprar). Entre o Verão e o Inverno permanece o doce e amargo lar. Um lar esbaforido de calor que nos faz correr para a praia à procura da leveza de uma brisa que alivie a transpiração por uns breves instantes. E depois temos de regressar… felizmente o carro tem ar condicionado. Fechamos as janelas e só voltamos a abri-las quando finalmente fecharmos a porta de casa.
Publicado por JJ às 04:18 PM | Comentários (0)
julho 15, 2006
ÀS VEZES SINTO-ME UM ELEFANTE SEM MEMÓRIA
Esta coisa da paternidade (ou maternidade) tem muito que se lhe diga. Mas no meio de tudo isso uma coisa é certa: nós perdemos sempre. É a lei da vida não há nada a fazer, senão acomodarmo-nos à ideia. A coisa torna-se complicada quando os putos começam a ter memória e registam tudo muito bem registadinho. É como viver permanentemente com um computador de não sei quantos milhares de gigabytes de Ram. Isto torna-se particularmente dramático à medida que vamos percebendo que a nossa memória já não é aquilo que era. Se não apontamos esvai-se. E se apontamos num papel qualquer também acaba por se esvair, dado que raramente encontramos o raio do papel. Vivemos numa constante nuvem, tudo nos parece meio nublado e já não temos bem a certeza da realidade. Enquanto nós caminhamos para a insanidade, eles, em contrapartida, estão cada vez mais aptos para se lembrarem dos pormenores ínfimos dos quais nunca conseguimos apanhar o rasto. Assim, à mínima contradição atira-nos logo com o mesmo output: “tu naquele dia disseste que eu podia fazer e hoje não me deixas”. “Mas qual dia? Não me lembro!”. “Aquele em que íamos no carro e tu falaste que eu podia fazer…” Como se está ver, aquele dia podia ser qualquer dia. Será que dissemos mesmo aquilo, ou será que o puto já tem arte para jogar com a nossa falta de memória? Estas situações são desesperantes, basicamente deixamos de ter qualquer noção do que foi passado e do que é presente, e sentimo-nos completamente loucos à beira de um ataque de pânico. E vai daí não nos resta alternativa senão usar o nosso próprio estado para convencer a criança: “Pois é, mas sabes o pai nesse dia estava cansado e até um pouco doente, por isso, não sabia muito bem o que estava a dizer”. Já se está a ver o que vai acontecer no dia em que eu estiver mesmo doente. Pois é, safamo-nos numas para semearmos outras bem mais complicadas. E assim levamos o barco… a bom porto (espero!).
Publicado por JJ às 02:27 PM | Comentários (0)
julho 13, 2006
Ó VELHOTE!
Estava eu deitado no sofá, a descansar por uns breves momentos, quando sua excelência se aproxima e diz em tom muito admirado: - Pai, tu também tens essas coisas!?! - O quê filho? - De relance vejo que estava a apontar para as rugas dos meus sobrolhos. - Estas coisas que só têm os velhos. - Ah! As rugas, é do cansaço.- Não contente com a resposta vira-se muito sério para mim e diz: - Pai, estás a ficar velhote. - Ao ouvir aquela palavra senti-me como se tivesse levado com uma pedra, até fiquei meio zonzo. "Velhote!". O puto chamou-me velhote! Não acredito nem no que ouvi, nem no que estou a escrever neste momento. Afinal foi tudo imaginação, aqui o cota devia estar a sonhar em pleno dia, poucas horas depois de se ter levantado da cama. Assim, como fazem os velhotes, estão a ver, não é?Publicado por JJ às 12:16 PM | Comentários (2)
julho 08, 2006
PASSINHOS SEM PRESSA
Está quase a andar, só falta aquele “clic” e de um momento para o outro começará a dar os seus passinhos sozinho. Por enquanto, adora brincar ao “ida e volta”. Dois, três passos para a mãe, dois, três passos para o pai. O mano também gosta de entrar na jogatana, fazendo com que o bebé ande num louco rodopiar que, por vezes, acaba no chão. Durante o movimento pendular, ri-se que nem um perdido e faz as caretas mais surreais. Às vezes hesita e não larga a nossa mão. Agarra-a com toda a força a exigir que o seguremos. Como se algo lhe dissesse que ainda não é tempo. Afinal, os pais não sabem nada e, ainda por cima, são uns apressados.
Publicado por JJ às 07:15 PM | Comentários (0)
julho 07, 2006
VEGETALODEPENDÊNCIA
Quando acordo de manhã (bem de manhã… ainda a madrugada não se despediu) sobressaltado com o burburinho das pequenas criaturas que nos assaltam a cama, todas a poucas energias que me restam canalizam-se para apenas um estado ideal de vida. Anseio por ele em cada segundo que passa. Nunca pensei chegar a uma situação tão grave de dependência, começo a tornar-me um caso perdido. Só um milagre me salvaria deste caminhar progressivo para o abismo. Sou escravo de uma só ideia que me tilinta a cabeça: VEGETAR, VEGETAR, VEGETAR… Desfalecer para um sofá e afundar-me numa sonolência contínua. Estender os ossos, desprender os músculos e deixá-los à mercê das almofadas. Ficar a dormitar no vazio e atirar o cérebro para um buraco negro. Não precisava de mais nada para ser feliz!
Publicado por JJ às 11:07 AM | Comentários (0)
julho 05, 2006
CONTINUA A CHOVER
Finalmente chegou o Verão, embora ainda não cheire a Verão. Mas o frio já se foi, a chuva já se foi, o nevoeiro já se foi, a neve já se foi… E com eles as constipações também deviam ter ido, assim com, a febre, a tosse, a expectoração, a dor de cabeça, a garganta inflamada… Mas não, afinal continuamos doentes, é já um estado permanente. Tossir é tão habitual como falar ou respirar. De manhã, os putos quando se levantam já se cumprimentam a tossir. Trocam tosses e criam um dueto sinfónico como se fosse uma espécie de grande final do solo da noite. O Inverno foi-se embora mas não quis levar as suas mazelas. Deixou-as cá em casa, esqueceu-se, ou então, não quis que ficássemos com saudades. É bom saber que podemos sempre contar com o Inverno.
Publicado por JJ às 10:05 AM | Comentários (0)
julho 04, 2006
O REGRESSO: POST TELEGRAMA
Pois é, voltei! Tive saudades. Não resisti. Os putos estão bem. Crescem com toda força. Os pais vão andando. Vai-lhes faltando a força. Não há-de ser nada. Vou escrevendo sem regularidade. Ao sabor da disposição… e do tempo. Um abraço para todos. Sejam bem-vindos a esta casa. Afinal nunca deixaram de passar por cá.
Publicado por JJ às 06:05 PM | Comentários (1)
fevereiro 13, 2006
FIM
Faz precisamente um ano que comecei a descrever as trivialidades, as alegrias e as angústias que assolaram a vida de um pai trintão. Acho que consegui dar uma pequena ideia do que é a paternidade nos dias de hoje. Gostei imenso de escrever este pequeno diário. Queria agradecer a toda(o)s (a)os que passaram por aqui. Espero que tenham gostado de ler estes textos, alguns dos quais sem muito nexo. Ficam à disposição de quem quiser revisitar este espaço. Mas antes de me ir embora, gostava de dar um beijinho a cinco comentadoras que acompanharam este diário desde o seu início (ou quase): à Sandra Costinhas, à Lia, à Naggy, à João e à Maresia. Obrigado e até à próxima!
Publicado por JJ às 10:47 AM | Comentários (8)
janeiro 24, 2006
ESTA GRIPE QUE NÃO NOS DEIXA
Este blogue está em convalescença. Aguarda-se por melhores dias…
Publicado por JJ às 08:23 PM | Comentários (2)
janeiro 12, 2006
O RESGATE
Já lá vão oito mesinhos… e na segunda-feira entrou no infantário. Foi como se tivéssemos levado um soco no estômago. Para ser mais preciso, o soco foi bem certeiro, mas mais para as bandas do coração. Aquele momento crucial de passar o bebé para os braços da educadora é de arrepiar. Parecia que o resgatava definitivamente do nosso ventre. O ventre que construímos durante estes meses para ele se proteger e amparar a sua pequena vida. Naquela manhã saímos lívidos do infantário e completamente desamparados. Uma perda imensa achava-se em nós… Vai levar tempo para que se vá embora.
Publicado por JJ às 08:39 PM | Comentários (2)
janeiro 07, 2006
ANDA CÁ
Está tão irrequieto que quer desvendar o Mundo lá fora de uma só vez. Tenta agarrá-lo com um sorriso gigante. Mas o Mundo esgueira-se e esconde-se muito depressa. Porque será? Terá medo?Talvez não consiga encarar o brilho da primeira vez. Já não está habituado. Anda cá Mundo mau, não fujas do bebé!
Publicado por JJ às 10:31 AM | Comentários (0)
janeiro 06, 2006
NOVO ANO
Queria dizer qualquer coisa de inovador para começo do ano, mas não me veio nada à cabeça. Somente coisas banais do género: tenho dois filhos adoráveis que nos dão muita felicidade. É tão banal que às vezes até me esqueço de dizer. Está dito! E virei ler vezes sem conta, ao longo do ano que agora se inicia, para não correr o risco de me esquecer de banalidades como estas.
TENHAM UM BOM ANO CHEIO DE BANALIDADES!
Publicado por JJ às 01:46 PM | Comentários (0)
dezembro 31, 2005
UM ANO CHEIO DE PRIMAVERA
- Sabes, hoje é o último dia do ano de 2005, amanhã mudamos para 2006.
- Então amanhã vai ser Primavera.
- Não filho, o Inverno só acaba daqui a três meses, ainda falta algum tempo.
- Tantos Invernos, estou farto! Amanhã devia ser Primavera.Publicado por JJ às 12:07 PM | Comentários (2)
dezembro 28, 2005
ONDE ESTÁ O NATAL?
Para uma criança de hoje o significado do Natal é simples e rudimentar. É o dia (ou a noite) em que o Pai Natal traz as prendas num saco gigante para todos os meninos e as meninas. A simbologia do natal reduz-se a este simpático velhinho de barbas brancas, inventado por uma marca de refrigerantes, que tem umas gargalhadas muito engraçadas reconhecidas em qualquer parte do mundo: Ho! Ho! Ho! Cada a família brinca ao Pai Natal e encena à sua maneira o mistério desta figura vinda do reino da neve que deixa dezenas de prendas no sapatinho. Depois rasgam-se papéis e mais papéis com a avidez de querer ver o que estes escondem. Enredamo-nos todos neste jogo e deixamo-nos levar pelo deslumbramento insaciável das crianças. Ficamos de tal forma encandeados que tudo se apaga em nosso redor, inclusive o sentido do próprio natal.
Publicado por JJ às 02:51 PM | Comentários (1)
dezembro 27, 2005
O CIRCO
Ontem fomos ao circo. Andava há semanas a perguntar como era o circo a sério. Por isso, resolvemos levá-lo a um daqueles que já fazem parte do imaginário de muitas gerações - o Grande Cardinali, que este ano apresenta o Circo Nacional de Cuba com direito a orquestra cubana e tudo. Escusado será dizer que a música foi a única novidade e o melhor do espectáculo. Em tudo o resto o Cardinali continua igual a si próprio, uma sucessão de números meio falhados a cheirar mofo. É reconfortante saber que há coisas intemporais que passam de pais para filhos sem mudarem nada.
Publicado por JJ às 10:16 AM | Comentários (1)
dezembro 24, 2005
FELIZ NATAL
Descrição do autor: "é o Pai Natal a pôr as prendas na árvore de natal."
Crítica do artista ao contemplar a sua obra: "este Pai natal parece um orangotango".
Publicado por JJ às 12:17 PM | Comentários (1)
dezembro 23, 2005
NÃO PASSA PELO FILTRO?
Muito sério, virou-se para a mãe e perguntou (ao mesmo tempo que apontava para o exaustor da cozinha):
- Mãe, como é que o Pai Natal desce por esta chaminé?
Publicado por JJ às 09:52 PM | Comentários (4)
SONHOS DE SONHO
Conversa entre o sobrinho e a tia:
- Hoje vamos fazer sonhos.
- Sonhos!?!
- Sim, são uns doces muito bons que se comem no natal.
- E são de chocolate?
- Não, são de abóbora e são fritos.
- Brraaaa… de abóbora. Deviam ser sonhos de chocolate!
Publicado por JJ às 09:38 PM | Comentários (0)
dezembro 21, 2005
ORA APANHAS TU, ORA APANHO EU
Nestas duas últimas semanas temos andado a jogar à ‘pegada’. Não conhecem? Então passo a explicar, primeiro foi o mais velhinho que apanhou no infantário, depois chegou a casa e pegou ao mais novinho, este que é um maroto passou para a mãezinha e esta, que gosta tanto do paizinho, pegou-me muito bem pegadinho. É giro não é? Ando tão entretido que até me esqueço do blogue. ATCHIMMM!!!
Publicado por JJ às 10:19 PM | Comentários (2)
dezembro 16, 2005
A CIDADE IMAGINADA
As deambulações pelos vários trajectos rotineiros - ora de carro, ora a pé - dão-lhe para ir imaginando uma outra cidade. Um vidro partido de uma janela de um casarão velho dá azo para uma grande exclamação. “Olha ali, a lua!”. “A lua aonde não a vejo, ainda é de dia!” “Não é no céu, é ali naquela janela partida, não vês?” “A lua na janela, está escondida?” “Não, no vidro!”. Apontava para o pedaço partido que tinha a forma de uma meia-lua. E nós embasbacados nem nos apercebemos de que a lua estava tão perto à nossa mercê. Podíamos alcançá-la com a ponta dos dedos. Agora, sempre que passamos por ali já não vemos uma velha janela a cair aos bocados, mas a silhueta de uma lua radiosa.
Com ele vamo-nos apercebendo de uma realidade fantástica que se oculta no betão mais cinzento da urbe. Figuras de um outro mundo tornam-se reais numa ranhura estreita da parede de um prédio ou no chão abandonado de uma calçada qualquer. Os cartazes rasgados que anunciam os mais variados eventos escondem personagens dos livros e dos filmes. A cidade imaginada que ele nos conta, a cada passo, transmuta-se num mundo bem concreto capaz de reinventar a nossa percepção muito limitada de ver a cidade.
Publicado por JJ às 01:29 PM | Comentários (0)
dezembro 12, 2005
A PENSAR NA DESCENDÊNCIA
- Sabes mãe, eu e a M. vamos ser pais.
- Ah sim! Porquê?
Virou-se para a mãe e disse como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
- Então não sabes, é que eu sou um homem e ela é uma mulher.
Publicado por JJ às 07:12 PM | Comentários (3)
dezembro 10, 2005
A PONTE DOS SORRISOS
É extraordinário, mas a partir dos primeiros meses parece que emergem logo os traços principais da personalidade. Com o segundo filho isso torna-se ainda mais claro, porque fazemos inevitavelmente comparações entre um e outro: desde a forma de mexer o corpinho, a composição da gestualidade, o comportamento face aos mesmos estímulos… Em tudo isso encontramos muitas diferenças. Um mais atlético e mexido, o outro mais contemplativo e pacholas. É normal fazermos estas comparações, desde que não sejam negativas, nem interfiram na relação que estabelecemos com eles. É, antes de mais, uma forma de aprendermos e de reflectirmos na nossa acção enquanto pais. Perceber as diferenças ajuda-nos a interiorizar o conteúdo das suas personalidades: os seus defeitos e as suas capacidades. Com isto vamos ganhando consciência da individualidade de cada um.
Apesar de encontrarmos muitas diferenças também vislumbramos muitas semelhanças. Às vezes temos a sensação de que o bebé ainda é o mesmo daquele que nasceu há quatro anos atrás. São tão iguais que até faz impressão. Como se um e outro estivessem ligados por uma ponte por onde passam os memos olhares, as mesmas expressões, os mesmos guinchos. Uma ponte que se ilumina com o mesmo sorriso. Um sorriso cheio que não pára de nos enternecer.Publicado por JJ às 10:38 AM | Comentários (0)
dezembro 08, 2005
A PROPÓSITO DA ÉPOCA
Como seria o Natal se não tivéssemos de oferecer, nem de receber prendas?
Publicado por JJ às 04:27 PM | Comentários (2)
dezembro 06, 2005
É SÓ ÀS VEZES
Às vezes ouvimos coisas que jamais pensaríamos ouvir. Sentimo-nos injustiçados, porque damos o melhor. Porque damos tudo! E quando tudo não chega, temos vontade de desistir… de tudo.
Publicado por JJ às 10:38 AM | Comentários (1)
dezembro 01, 2005
SORRISOS COM SOPA
Como é que uma coisinha tão pequenina já sabe muito bem o que quer. Ao longe quando nos vê a fazer a papa esperneia que nem um louco, tal é o desejo. Come até fartar e não caber mais. Mas quando cheira a sopa antes do prato lhe chegar à vista, cerra os lábios e não deixa entrar nem uma colher. Fica esbaforido de raiva! Já tentámos de tudo para adoçar a sopinha, mas o danadinho torce logo o nariz. Acabamos sempre por utilizar o último recurso, fazemos umas caretas e roubamos-lhe um sorrisinho para a sopa. Só come a sorrir para nós, como se tratasse de um efeito condicionado. Um dia perdemos a graça e lá se vão os sorrisos pela sopa abaixo.
Publicado por JJ às 08:53 PM | Comentários (2)
novembro 28, 2005
UMA ÁRVORE DE SONHOS
"Ó mãe, a nossa árvore de natal ficou tão linda que eu quero dormir dentro dela".
Publicado por JJ às 03:23 PM | Comentários (1)
novembro 26, 2005
MANIFESTO CONTRA AS WC PÚBLICAS
Estava eu e o meu rebento mais pequeno a passear num centro comercial da capital, quando me apercebo que a fralda estava um pouco cheiinha. Dirigi-me para uma das casas de banho e quando lá chego apercebo-me que só existia fraldário na WC das mulheres. Naquele momento senti-me descriminado e alvo de exclusão social por parte da mentalidade conservadora (para não dizer outra coisa) deste país. Será que não passa pela cabeça das senhoras e dos senhores gestores destas superfícies comerciais que os pais podem ter o direito em trocar a fralda aos seus filhos? Não se lembrarão que estes podem frequentar aqueles espaços sem se fazerem acompanhar das respectivas mães (e esposas, companheiras…)?
Quando me deparei com a impossibilidade de poder mudar a fralda ao bebé, ainda recebi a solidariedade de uma mãe que se apercebeu da minha situação ridícula. “Se quiser eu mudo-lhe a fralda”, propôs-me a senhora. Agradeci, mas recusei a sua sugestão. Que diabo, um pai também tem o seu orgulho próprio. Não me sentiria nada bem em passar-lhe o bebé para as mãos e esperar cá fora que mudasse a fralda. Peguei no carrinho e procurei um daqueles bancos mais resguardados onde pudesse realizar a operação com algum resquício de privacidade. Não só foi tarefa difícil como estavam todos ocupados. Resolvi perder o pudor e pedi a uma velhinha que se chegasse um pouco mais para a beirinha. Estendi a mantinha e deitei o bebé em cima. Escusado será dizer que durante todo o tempo uma série de olhares cruzaram aquele banco. Parecia que estavam a olhar para duas figuras exóticas. Naquele momento o banco transformou-se numa jaula e nós éramos os animaizinhos presos lá dentro. São cenas como estas que me deixam ainda mais céptico em relação ao atraso civilizacional deste país troglodita! Será pedir muito, é preciso um abaixo-assinado para instalarem a merda de um fraldário na WC dos homens!
Publicado por JJ às 07:38 PM | Comentários (2)
novembro 25, 2005
O PAI DO NEMO ESTÁ NO TABULEIRO
Preparávamo-nos para jantar um belo peixe no forno, quando o nosso catraio começa com esta conversa:
- Este peixe foi pescado, não foi? – Ao que nós respondemos afirmativamente. Depois, fez-se algum silêncio e voltou à carga.
- Foi pescado e morreu! E agora vamos comê-lo. – Contivemos a respiração e tentámos explicar-lhe a lei da vida, que para os animais viverem têm de se alimentar de outros animais… Pensando que estaria resolvida a questão, começámos a comer descansadamente. Daí a pouco, o tema volta à baila.
- Este peixe era pai e tinha família. E os filhos ficaram sem pai. – Escusado será dizer que nesta altura o peixe já não nos sabia lá muito bem. O jantar estava irremediavelmente estragado. Tentámos novamente explicar-lhe como funciona a natureza. Passados alguns segundos, voltou ‘na boa’ para a mesa e comeu todo o peixinho que tinha no prato. Nós, em compensação, ficámos tão desconsolados com aquela história que deixámos mais de metade.Publicado por JJ às 03:28 PM | Comentários (0)
novembro 24, 2005
CASA DE LOUCOS
Agora praticamente todas as noites tem um pesadelo. A meio da madrugada é com cada grito que nos faz pular directamente para o seu quarto. É verdade, quando somos pais (ou mães) adquirimos uma espécie de super poderes de reacção imediata: acordamos logo, sem pestanejar. É óptimo, recomenda-se mesmo a quem não tenha crianças porque faz muito bem à saúde! Quando lá chegamos num ápice está normalmente sentado na cama com um ar pasmado a olhar para a parede, sem perceber muito bem se está acordado ou se ainda está a sonhar. Aproveitamos a indecisão e com festinhas convencemo-lo a voltar para dentro dos lençóis. De manhã acorda obcecado pelos seus sonhos e também pelos nossos. Quer à força saber o que sonhámos. Se alguém ouvisse as nossas conversas matinais pensaria que, no mínimo, estaríamos todos loucos a viver num permanente estado delirante. Felizmente temos o bebé, a única pessoa lúcida desta casa, que nos chama à razão com as suas exclamações de espanto. Nessa altura deixamos de delirar e começamos todos a falar com o bebé: “ó bibi… ó tété… ó dédé… dadada”. E com estes diálogos perfeitamente compreensíveis voltamos a ser pessoas normais. Não é verdade?
Publicado por JJ às 12:24 PM | Comentários (0)
novembro 22, 2005
BEIJINHOS E MAIS BEJINHOS
Um, dois, três…mil beijinhos na pequena bochechinha
Um, dois, três…mil beijinhos na outra pequena bochechinha
Um, dois, três…mil beijinhos no pequeno bracinho
Um, dois, três…mil beijinhos no outro pequeno bracinho
Um, dois, três…mil beijinhos na pequena perninha
Um, dois, três…mil beijinhos na outra pequena perninha
Um, dois, três…vamos voltar ao início outra vez
Publicado por JJ às 03:19 PM | Comentários (2)
novembro 21, 2005
SERÁ MIRAGEM?
As crianças são um espelho fiel que constantemente nos expõe. Ás vezes fico desarmado a olhar para o meu reflexo sem saber o que fazer.
Publicado por JJ às 12:22 AM | Comentários (1)
novembro 19, 2005
MEU BEBÉ
Quando te amparo no meu regaço sinto toda a tua fragilidade nas minhas mãos. Aconchego o teu calor para que ele não se evada e deixo-me invadir pelo intenso aroma da tua pequena vida. Estremeço de tanto amor. E sinto um peso imenso nas minhas mãos. Receio por elas, receio que fraquejem. Aperto-te em mim e seguro-me nos teus dedos. Em ti suportarei o peso do mundo inteiro!
Publicado por JJ às 10:07 AM | Comentários (0)
novembro 16, 2005
COISAS DE GAJO
A paternidade fez-me envelhecer, nascem dezenas de cabelos brancos, as rugas emergem à superfície com toda a força, e o cabelo… bem, nem vale a pena falar. Despontam em todas as direcções uns pêlos loucos nas sobrancelhas, que, por sua vez, estão a ficar cada vez mais grossas como as dos velhos, tipo Álvaro Cunhal. Deve ser para compensar a desertificação que alastra na moleirinha. Não há nada a fazer, caminho a passos largos para o estado Neandertal. Mas, curiosamente quando passeio na rua com os meus catraios, sou alvo, como nunca antes, de olhadelas por parte do sexo oposto que me atiram quase ao chão. Em espaço públicos é vê-las aos magotes a olhar aqui para o jeitoso. Que estranho, será imaginação minha? De facto, noutras ocasiões, costumo passar sozinho por esses mesmos espaços e acontece que a minha triste figura vem ao de cima e ninguém parece reparar nela.
Há uns dias atrás falei com um amigo meu, numa daquelas conversas de gajos, e ele, que também é pai, confirmou a mesma sensação. Mas tinha uma teoria, mais ou menos elaborada, que resumiu em meia dúzia de palavras: “sabes, elas gostam de ver um pai a brincar ou a acarinhar os filhos. Sentem-se atraídas! É um misto entre instinto maternal e atracção erótica. É um bocado esquisito”. A filosofia masculina sobre as mulheres é normalmente tão brilhante que nos deixa a pensar naquilo sem, obviamente, chegarmos a conclusão nenhuma. Provavelmente, não deve ser muito diferente da filosofia feminina sobre o outro sexo. Mas pronto, ficámos na nossa e brindámos egoistamente à saúde dos pais. Ser pai é fixe!Publicado por JJ às 09:46 PM | Comentários (0)
novembro 15, 2005
UM DESABAFO SONÂMBULO
O melhor do mundo são as crianças! Esta é uma verdade que redescobrimos todos os dias. Mas quando passamos noites seguidas a dormitar e dias inteiros a bocejar, como gostaríamos que as queridas criancinhas fizessem um pouco mais para melhorar o nosso mundo. Bastava dormirem um bocadinho e, aí sim, o mundo tornar-se-ia o melhor dos sonhos.
Publicado por JJ às 10:42 AM | Comentários (0)
novembro 12, 2005
MY NAME IS “PAI”
Assim que somos pais a nossa identidade apaga-se, deixamos de ter nome. Passamos a ser o pai ou a mãe do nome do nosso filho. Cada vez mais nos acontece apresentarmo-nos como o pai ou a mãe do P. Em muitas agendas de telemóvel já não é o nosso nome que é registado. Uma vez um pai de um menino lá da escola que, por acaso, tem o mesmo nome do nosso pequenote, telefonou para nós pensando que estava a telefonar para a sua mãe. Isto porque a sua esposa registou um dos nossos números no seu telemóvel identificando-o como “mãe de P.” Ora um belo dia o pobre do homem decide telefonar à sua mãe querida e aparece-lhe a voz do pai de P. que, por acaso, é casado com a mãe de P. Entenda-se que este P. é o nosso filho que, também por acaso, é colega do filho do homem que nos telefonou a pensar que estava a ligar para a mãe. Bem, não sei se dá para perceber. Eu próprio ainda não entendi muito bem esta história. Mas, o que é facto é que esta confusão toda aconteceu porque, pura e simplesmente, deixámos de ter direito em usar o nosso nome próprio. Tornamo-nos pais anónimos, cuja identidade se revela no nome dos nossos respectivos descendentes. Nós registámo-los na conservatória, mas são eles que nos dão o nome!
Muitas vezes somos simplesmente pai ou mãe. Isto acontece, sobretudo, nos infantários, mas também em família. Surpreendentemente, as pessoas que nos são familiares parece que, por milagre, esqueceram o nosso verdadeiro nome. Não sei se é um efeito genético qualquer, mas, o que é facto é que passamos a ser só pai ou só mãe: “Ó pai o bebé está a chorar”, “parece que tem fome a mãe já deu mama”, “está frio, ó pai não será melhor vestir-lhe um casaquinho”. Expressões como esta surgem quando se querem fazer determinados reparos, sobretudo, vindos da parte das nossas mãezinhas. Arrepia-me a pele só de as ouvir! Dá vontade de dizer “ó mãe (ou ó sogra), vai chamar pai a outro filho (ou genro)”. Dá-lhes para isto, tornam-se avós e anulam o nome com que nos baptizaram. Mas pronto, é sua pequena vingançazinha pelos anos a fio em que lhes moemos o juízo. Afinal, merecem ter o seu momento de glória.
Publicado por JJ às 10:19 PM | Comentários (1)
novembro 10, 2005
O TEMPO É RELATIVO
Conversa antes do jantar.
- Amanhã vais ter festa na escola, vão fazer um magusto no dia de São Martinho. Não estás contente? – Virou-se para mim e disse com um ar sério:
- Pai, amanhã é muito longe!
Publicado por JJ às 08:03 PM | Comentários (0)
novembro 07, 2005
PRONTO, JÁ MORRESTE!
Agora vê morte em todo o lado. Qualquer brincadeira, qualquer história que inventa só pode ter um fim: a morte de todos. Tudo é pretexto para uma história de morte, então se meter facadas tanto melhor. Durante o jantar pegou numa daquelas revistas de culinária e mostrou-me uma página onde apareciam as mãos de um cozinheiro a cortar cebola: “estás a ver pai, este homem vai cortar as mãos e depois morre”. Que horror! Nem um filme de terror de terceira categoria se lembraria de ver num cozinheiro bonacheirão um terrível assassino auto-mutilador. Não há ninguém que resista a esta matança compulsiva. Cá em casa todos morremos várias vezes ao dia. Ao princípio até tinha alguma piada, morria-se com gosto. Mas agora já chateia estar sempre a morrer. “Ó filho não me apetece morrer mais”. “Vá lá, foste tu que morreste, morre lá”. E para não aturar uma birra monumental acabamos por morrer mais uma vez.
Publicado por JJ às 08:53 PM | Comentários (2)
novembro 06, 2005
O PESADELO RUMINANTE
Ontem fomos ao cinema ver Wallace & Gromit em a Maldição do Coelhohomem. É um filme divertidíssimo que se desenrola num ambiente muito british, bem à maneira destes heróis. O enredo está cheio de peripécias que deliberadamente nos fazem lembrar outros filmes desde o King Kong, os Caça Fantasmas, 007… Consegue também criar sensações de algum terror saudável, o suficiente para as crianças se agitarem nas cadeiras mas sem se assustarem muito. Certas cenas remetem para imaginários de alguns filmes de terror tipo Frankstein ou A Mosca.
Basicamente é um filme cheio de coelhos, aparecem aos magotes e fartam-se de roer, e roer, e roer todo o tipo de vegetais que lhes passam pela frente. Pelo menos no filme eles só comem cenouras, couves de flor e coisas do género (e algumas são enormes e bem apetitosas). Mas a certa altura aquele ruído ruminante começava a ser ensurdecedor, entrava-me pelos ouvidos como se os coelhos estivessem ao meu lado e zumbiam-me de tal forma na cabeça que comecei a ficar um tanto apreensivo. “Será que o som dos altifalantes está assim tão alto? Daqui a pouco o pequenote começa mesmo a assustar-se” – pensava eu com os meus botões. De repente, comecei a olhar para o lado, para a frente e para trás, e reparei que, de facto, estávamos rodeados por roedores, eram dezenas. Mastigavam sem parar, amparavam baldes enormes de coisas brancas que emborcavam pela goela abaixo. Os ruminantes tinham saído do ecrã e preparavam-se para trucidar tudo o que encontravam. Nesta altura em que já me arrepiava de medo, o pequenote pergunta-me em tom de revolta: “pai, porque é que não me compraste pipocas?” Bem, aí foi demais, o meu próprio filho já estava a ser contaminado e não tardava nada transformar-se-ia num daqueles seres. Comecei a ter tonturas e quase desmaiei não fora o intervalo ter surgido naquele momento.
Cá fora, consegui convencê-lo que aquelas coisas brancas faziam mal aos dentes e que as pessoas iam ficar cheias de cáries monstruosas. Dei-lhe uma moeda para uma daquelas máquinas com bolinhas do Pokémon ou do Winnie e lá ficou mais calmo. Consegui desta vez controlar o seu apetite voraz em se transformar num ruminante implacável. Mas sei que é uma guerra perdida, porque ELES ESTÃO POR TODO O LADO!Publicado por JJ às 11:25 AM | Comentários (0)
novembro 03, 2005
DIAS CINZENTOS
Estes dias cinzentos de chuva tornam a rotina um pouco mais pesada. O catraio arrasta-se debaixo da capa e do guarda-chuva de casa para a escola, da escola para a natação, da natação para casa. Chega esbaforido de tanto andar de um lado para o outro. E de andar muito devagar no atraso do trânsito. Entre uma e outra deslocação chega a adormecer para daí a nada voltar a acordar. Depois de jantar anda aos trambolhões de uma divisão para outra. E sem paciência para grandes brincadeiras. Só sossega no sofá para ver o Noddy ou o Bob. E vai caindo, caindo devagarinho até não poder mais com o peso dos olhos. Carregamo-lo até à cama onde ainda resiste ao sono para ouvir a história do livro. Finalmente, pede 23 festinhas na cabeça e adormece antes de chegarmos à última. “…21…22…23, dorme bem filho querido, até amanhã”. E antes de deixarmos o quarto ouvimos uma vozinha que vem lá do fundo dizer “até amanhã”.
Publicado por JJ às 03:56 PM | Comentários (0)
novembro 01, 2005
O mano
"É o mano com a chucha na boca e o biberão do chá ao lado!"
Publicado por JJ às 09:35 AM | Comentários (0)
outubro 31, 2005
Ó BIBI!
Logo quando acorda, bem de manhã, corre para o berço do mano. É claro, às vezes não deixamos, para não acordar o bebé. Mas à mínima distracção foge para o nosso quarto sem darmos por isso. Quando percebemos, já está a olhar deliciado para o irmão. “Olha, ele tem o olho aberto, está acordado! Posso dar-lhe beijinhos?” “Não filho, ele ainda está a dormir. Vamos para cozinha acabar o pequeno-almoço.” “Não vês o olho!!” Com esta conversa toda o rebento acaba mesmo por acordar. E depois quase que se atira para dentro da caminha aos beijinhos, carícias e alguns apertões. E vai exclamando: “Ó bebé! Ó bibi! Ó dibi!”. Zangamo-nos com ele para ter cuidado e para não apertar tanto. Mas por dentro sorrimos e regalamo-nos ao apreciar todo este amor genuíno.
Publicado por JJ às 08:04 PM | Comentários (0)
outubro 30, 2005
Retrato do pai
É a minha cara. Digam lá se não estou lindo? Bem, talvez um pouco favorecido quanto à quantidade de cabelo.
Publicado por JJ às 11:41 AM | Comentários (2)
outubro 28, 2005
FILHO, AINDA TENS MUITO QUE APRENDER
Ontem anunciou com um tom triste.
- A M. disse que tinha arranjado outro príncipe.
- Então porque é não lhe dizes que também tens outra princesa?
Olhou muito sério e com um certo ar de espanto disse:
- Mas eu só gosto da M.!Publicado por JJ às 11:43 AM | Comentários (0)
outubro 27, 2005
COMO É QUE SE RESPONDE A ISTO?
- Pai, o avô M. foi comido?- O quê filho, comido?
- Sim pai, o avô morreu e foi comido pelos bichos.
Publicado por JJ às 11:15 AM | Comentários (2)
outubro 26, 2005
NÃO NOS LARGA!
Tem andado a rondar a casa, mas por mais precauções que se tome, acaba sempre por entrar. Por entre as frinchas das janelas, por debaixo das portas, ou mesmo furando a própria parede, vai atingindo a família um a um. Para não contagiar as crianças, que entretanto acabaram por me contagiar, atafulhei-me em antigripais e sei lá mais o quê. Mas a danada não desgruda. Passamos o Inverno nisto, numa luta constante contra a tosse, os espirros, a febre… Ora se aquecem os quartos, ora se abrem as janelas para o ar circular, ora se tapa a criança, ora se destapa porque já está a transpirar, ora se deixam os medicamentos, ora se voltam a tomar porque afinal ainda não estávamos curados. É uma luta inglória. Odeio o Inverno! E ele ainda nem começou...
Publicado por JJ às 02:21 PM | Comentários (0)
outubro 25, 2005
SINDICATO NA WEB
Sindicato das crianças, uma ideia ainda embrionária que poder ser muito interessante se for bem desenvolvida.
Publicado por JJ às 10:47 AM | Comentários (0)
outubro 23, 2005
SER MÃE
Não sei onde vais buscar tanta força. Mas sei que não conseguiria se estivesse no teu lugar. Carregas o peso das noites mal dormidas com uma leveza que me espanta. Consegues vislumbrar a felicidade em qualquer recanto mais resguardado. Retiras da efemeridade dos dias um sentido pleno.
Talvez seja isso que distingue o “ser mãe” do “ser pai”. Essa capacidade inamovível de resistência. De não ceder perante a dúvida ou qualquer outra angústia. De ir em frente e não parar no caminho de barreiras intransponíveis. De amar para além dos limites.
Publicado por JJ às 05:49 PM | Comentários (7)
outubro 21, 2005
O PAI EGOISTA
Bom dia bebé! Ena, tantos sorrisos lindos. Deixa-me agarra-los. Espera bebé, um de cada vez. Não vá algum perder-se. E eu quero todos para mim!
Publicado por JJ às 09:34 AM | Comentários (0)
outubro 20, 2005
O VOO TRISTE DAS AVES
Todos os dias se ouvem notícias sobre o voo mortífero das aves. A imagem de um bando de pássaros esvoaçante é uma imagem de liberdade que sempre fantasiou o mundo das crianças. Lembro-me daquela canção dos tempos da nossa infância: “uma gaivota, voava, voava… como ela somos livres, somos livres de voar”. Nestes tempos estranhos as gaivotas passaram a ser temidas. E o voo migratório dos pássaros é visto com temor e ansiedade. Estas notícias sobre prováveis epidemias assustam-me sobretudo porque sou pai. Não posso evitar, o primeiro instinto protector vira-se para eles. Assim que somos pais distraímo-nos mais de nós próprios. Até certo ponto isso até é positivo, porque ficamos menos ego centrados e obcecados connosco. Mas, por outro lado, a preocupação pelos nossos filhos encandeia-nos os pensamentos e o coração… Tudo isto se torna muito triste, sobretudo para as crianças que já não vão ouvir o canto dos pássaros como um canto livre de embalar.
Publicado por JJ às 12:42 PM | Comentários (0)
outubro 18, 2005
A MÃE É COMO O QUÊ?
Conversa entre mãe e filho:- Ó mãe, como é que se fazem os gelados?
- Os gelados são feitos com leite, chocolate e frutas e depois vão para o frigorífico.
- E como é que se faz o leite?
- O leite não é feito. O leite é recolhido das maminhas das vacas e a seguir é posto em pacotes.
- Ah! É assim como tu e o maninho.
- Sim, quando a mãe está a amamentar.
- Então tu és como uma vaca, pois é mãe?Publicado por JJ às 09:02 PM | Comentários (3)
outubro 17, 2005
FIQUEI COM UM VAZIO NO ESTÔMAGO
A partir do momento em que somos pais ficamos imunes a um conjunto variado de imundices. É que não temos mesmo alternativa! Cocó, chichi, baba, ranho, bolçado, vomitado são, entre outras, substâncias que nos acompanham dia-a-dia. Intrometem-se em todas as alturas possíveis. E nunca podemos virar a cara. Temos de estar sempre disponíveis para limpar, o que nos obriga a cheirar e a tocar. O pior é quando estes dejectos nos atingem directamente. Engole-se em seco e tenta-se agir com naturalidade. No outro dia estávamos em pleno pequeno-almoço quando de repente se engasgou, devido à expectoração, e aqui vai disto. Felizmente, já se tinha levantado da mesa. O que não evitou termos sofrido alguns efeitos colaterais. Claro que a refeição ficou estragada, tivemos de o acudir e drenar o autêntico lago castanho que se expandia aos nossos pés (tinha bebido leite com chocolate). Depois de termos salvo o rapaz que aos poucos se ia afundando no lamaçal, lá fomos buscar os apetrechos e mãos à obra. Estávamos nós nestes preparos e eis que ouvimos uma vozinha ainda rouca mas já convalescida:
- Pai estou cheio de fome, quero uma torradinha!
Publicado por JJ às 02:28 PM | Comentários (1)
outubro 14, 2005
TOSSE MALVADA
As noites de tosse são sempre noites de nervos. Ele, coitadinho, lá se ia acomodando como podia, mas a expectoração não lhe largava a garganta. Era uma tosse seca repetitiva, daquela que nos entra na cabeça e nunca mais de lá sai. Ficamos a contar os segundos entre uma tosse e outra, e a desejar que não venha mais. Em certas alturas o silêncio prolonga-se e pensamos que foi de vez, confortamo-nos nos lençóis e voltamos para o sono. Mas de repente atinge-nos que nem uma pedra e damos um salto. Levantamo-nos mais uma vez e tentamos tapar o rapaz que não pára de rodopiar na cama. A muito custo pomos-lhe uns pingos ou soro a ver se encharcamos a danada. Voltamos para a cama e ficamos à escuta. Será desta que a criança descansa? Esperamos… Nada! Bem, parece que sim. Os olhos começam novamente a pesar embalados pelo sossego… E de repente trás, aí vem outra a perturbar-lhe o sono e a esgotar-nos a paciência. Maldita tosse! Chamei-lhe tantos nomes que nem imaginam. E assim foi, levámos a noite nisto. De manhã o catraio parecia estar melhor. Nós em compensação estavamos mais mortos que vivos. Como se tivessemos vivido um filme de terror. E eu ando desconfiado que esta noite ela se prepara para atacar novamente.
Publicado por JJ às 10:09 AM | Comentários (5)
outubro 13, 2005
COME A PAPA
Come a papa, bebé come a papa
Um, dois, três, uma colher pela primeira vez
Come a papa, bebé come a papa
Quatro, cinco, seis, sete, não tires o babete
Come a papa, bebé come a papa
Oito, nove, dez, a colher volta outra vez
Come a papa, bebé come a papa
Onze, doze, treze, esta rima o pai não fez
Publicado por JJ às 11:45 AM | Comentários (3)
outubro 12, 2005
OK! BOB
Agora anda com o OK na boca. Qualquer coisa que se lhe diz para fazer lá vem a resposta OK. Mesmo que não faça nada do que lhe dissemos. Esta expressão foi buscar a uma série de desenhos animados que passa no canal 2: Bob o Construtor. São histórias de um empreiteiro que trabalha com um conjunto de máquinas falantes. Em cada episódio surge um problema para resolver: um cano furado, uma sarjeta entupida… Basicamente, Bob dá ordens e as máquinas cumprem com muita alegria. Mas tem um objectivo pedagógico: ensina que os problemas se devem enfrentar com trabalho árduo, disciplinado e meticuloso. Uma coisa bem ao gosto dos americanos. À pala desta série o catraio já manifestou a sua vontade em ser construtor. Faz-nos perguntas estranhas que não sabemos responder tipo, «como é que se constrói um silo?». Um silo, o que raio é um silo. Uma espécie de armazém? O que é que poderíamos responder: «Olha, constrói-se com cimento e sei lá mais o quê». «Mas o Bob construiu um silo!». Bem, ‘ganda’ Bob. De facto, em Portugal este Bob seria uma ave rara. Se fosse uma série portuguesa sobre um empreiteiro virtuoso chamar-se-ia, do género, Zé o Desenrasca, ou Tó o Jeitoso…
Publicado por JJ às 11:52 AM | Comentários (1)
outubro 11, 2005
UMA MANHÃ SEM BATERIA
Hoje aconteceu-me uma daquelas coisas que nos irrita tremendamente. De manhã quando ia levar o miúdo para a escola o carro não ligou. Avariou-se, o sacana! E a culpa foi minha. Devo-me ter esquecido das luzes acesas que ficaram ligadas a noite inteira. E claro, a bateria foi-se abaixo. E a minha boa disposição também. Ao invés do pequenote que delirou com a situação. Parecia que estava a viver uma autêntica aventura. Queria ver, metia-se por debaixo das minhas pernas, dava palpites… De tal forma, que ainda fiquei mais irritado e tive de zangar-me com ele. Bem, talvez tenha exagerado um pouco. Mas não se incomodou muito e continuou entusiasmado com o episódio. Escusado será dizer, não falará de outra coisa todo o dia.
Publicado por JJ às 10:59 AM | Comentários (2)
outubro 10, 2005
VÁ-SE LÁ PERCEBER ESTES ADULTOS
No caminho para a escola enquanto o trânsito se movia lentamente, ia pensando com os meus botões sobre a ressaca pós-eleitoral. E, sobretudo, na depressão que é ver os cartazes eleitorais enrugarem com o molhado da chuva e deformarem as caras dos candidatos. De repente no torpor do pára arranca, ouço um grito de entusiasmo:
- Pai olha ali o mentiroso?
- O quê filho, quem?
- O mentiroso ali no cartaz. – Apontava para a imagem de Isaltino.
- Mas porque é que é mentiroso?
- A mãe disse que ele ia dar computadores a todos os meninos. E que era mentira!
- Olha filho, pois é, mas mesmo assim ele ganhou as eleições.
- O quê, o mentiroso ganhou?!?
Publicado por JJ às 10:43 AM | Comentários (4)
outubro 08, 2005
A SAÍDA
Ontem fizemos uma pequena extravagância: saímos à noite. Mas levámos os putos. Não se assustem! Não fomos nem para o Bairro Alto, nem para a 24 de Julho, nem a nenhuma discoteca. Fomos simplesmente jantar a casa de uns amigos. Coisa que já não fazemos desde que o bebé nasceu. Foi, como se está a ver, um programa verdadeiramente radical. Chegámos a casa em plena madrugada, esbaforidos de sono e de cansaço. Hoje parecemos autênticos “zombies” à procura de um sentido para a vida. Mas valeu a pena estar com amigos que já não se vê a algum tempo. Só por isso ficamos mais bem dispostos para suportarmos um amargo dia de reflexão.
Publicado por JJ às 08:07 PM | Comentários (1)
outubro 07, 2005
ANÚNCIO DE UMA VIAGEM A DOIS
- A M. convidou-me para ir à Disneyland. Amanhã têm de me levar à casa dela. Ela disse que tinha de levar o casaco porque faz muito frio dentro da baleia.
- Qual baleia?
- A baleia do Pinóquio. Está lá na Dineyland, porque eu vi as fotografias. Só que não está na água. E nós podemos entrar lá dentro.
- Mas a Dineyland fica muito longe. Fica na América. Não podes ir lá amanhã.
- Vocês são todos muito maus. A M. disse que íamos e perguntou à mãe. E a mãe disse que sim.
- Filho, mas a mãe estava a brincar.
- Mas eu não estava a brincar!
Publicado por JJ às 10:54 AM | Comentários (1)
outubro 06, 2005
VIRA O DISCO E TOCA O MESMO
Anda sempre a cantarolar, ora são as cantigas dos Filmes, ou dos CDs ou das músicas que aprende lá na escola. Farta-se de cantar ao mano para o acalmar ou para o entreter. Logo de manhã começa a cantilena. Pega numa melodia e repete-a até à exaustão. Nestes últimos dias já entrou no espírito natalício e agora anda com a melodia do gingle bells, à qual vai adaptando palavras que lhe venham à cabeça no momento, tipo: bebé querido, bebé querido, cheiras a chulé… O problema é que isto nos fica na cabeça para o resto do dia e não paramos de cantarolar a mesma coisa indefinidamente. Zumbe-nos no cérebro como uma daquelas músicas minimalistas que não têm princípio nem fim. Quantas vezes levo o dia a cantar: “abram alas p’ra o Nody”, ou “o fungagá da bicharada”, e muitas mais. Tento ouvir outras coisas, levantar o volume do rádio, mas o raio daquelas lengalengas não largam o ouvido e sobrepõem-se a qualquer outra canção… bebé xoné, bebé xoné cheiras a chulé… talali, tatali, talalalala…
Publicado por JJ às 12:06 PM | Comentários (4)
outubro 05, 2005
DOIS DENTINHOS DE VIDA
Cinco meses, dois dentinhos. Não tarda estarás um homenzinho de barba rija (claro!). Cresceste tanto em tão pouco tempo. É um privilégio comungar da tua vida, vive-la dia-a-dia. Muitas vezes esquecemos o significado simples e belo de estar vivo, presente no tempo. Jamais perderei este tempo cheio de ti e da tua singularidade. És único. És o nosso amor. Parabéns!
Publicado por JJ às 09:04 AM | Comentários (0)
outubro 04, 2005
A ARTE DE COZINHAR TODOS OS DIAS
O drama de cozinhar todos os dias não tem a ver com o acto em si. O drama é antecipar, decidir de manhã o que se vai fazer ao jantar. Entre o banho e o pequeno-almoço, o despachar dos putos e dos graúdos, temos de arranjar coragem para ir ao congelador e ver o que se passa por lá. Muitas vezes não se passa grande coisa. Olhamos, pomos lá as mãos (brrruuuuu…, então no Inverno é tão agradável), puxamos algumas embalagens que estão nos confins. Uma ou outra já está tão carcomida pelo gelo que voltamos a pô-las no sítio. Vão hibernar mais um tempinho até ao dia que finalmente decidimos fazer uma limpeza geral. Bem, se o conteúdo do congelador não nos agrada, descemos cá abaixo ao frigorífico e vemos o que há de produtos frescos, tipo vegetais ou coisa parecida: uns brócolos que já estão a empalidecer, uns tomates bem maduros… Pensamos com os nossos botões: «e se fizéssemos uma bela “pasta” com vegetais. Merda, não pode ser ainda ontem comemos massa». Não há volta a dar-lhe, teremos de passar pelo Pingo Doce logo à tarde. Talvez se arranje um peixinho fresco para fazer no forno. Mas haverá batatas que cheguem? E do frigorífico rumamos para a despensa…
Publicado por JJ às 05:00 PM | Comentários (3)
outubro 02, 2005
A VIAGEM INTERROMPIDA
Esta noite teve um pesadelo à conta do filme japonês A Viagem de Chihiro. O filme é para crianças, está muito bem feito e tem os desenhos magníficos. Faz-nos lembrar a Alice no País das Maravilhas, mas ainda consegue ser mais surreal. É todo o imaginário japonês que nos leva para mundos e personagens fantásticos que nos deixam abismados. Não é violento no sentido bélico (não tem armas, nem explosões). Mas tem uma cena verdadeiramente de arrepiar: os pais de Chihiro transformam-se em porcos! É uma cena que até a nós nos faz prender ao sofá. Mas foi demais para o pequenote, tivemos que apagar TV. Hoje de manhã não fala de outra coisa. Anda um pouco indeciso, ora diz que não quer voltar a ver, ora faz perguntas sobre o filme, dando a entender que está cheio de curiosidade pelo desenlace da história: «pai será que os porcos se transformam em pais?»
Publicado por JJ às 09:39 AM | Comentários (1)
outubro 01, 2005
CENAS DE UM DESENHO
Ontem estivemos a falar com a educadora e a ver com mais detalhe as paredes recheadas de cores da sala infantil. Mostrou-nos as coisas que fizeram neste mês e os projectos a desenvolver nos próximos. Mas sobretudo contou-nos pequenos episódios engraçados do pequenote:
- Olhem este desenho aqui. Desenhou dois rostos, o dele e o da sua princesa. Mas no outro lado da folha continuou a desenhar outra figura. Quando lhe perguntei o que era aquele desenho. Ele respondeu: «esse… é para o próximo episódio!».
Está visto, o rapaz tem veia de realizador.
Publicado por JJ às 09:23 AM | Comentários (0)
setembro 29, 2005
PALAVRAS À PROCURA DE SENTIDO
Assistir à descoberta de um sorriso que brilha para um mundo de espanto, é uma sensação única que jamais sairá de nós. Ficará no sossego da nossa memória, como um sótão escondido que alberga um pequeno tesouro por desvendar…
Publicado por JJ às 08:52 PM | Comentários (0)
setembro 28, 2005
QUERO PISCINA ÀS SEGUNDAS
Este ano começou a fazer natação. Adora aquilo! Vai duas vezes por semana e todos os dias pergunta se é dia de piscina. Mas anda insatisfeito, quer ir mais um dia. «Porque é que não vamos à segunda?». Vai às quartas e às sextas e percebeu que o instrutor também lá está nas segundas. Anda obcecado pelas segundas. Em todos os dias que lhe respondemos que não é dia de piscina pergunta logo a seguir: «hoje é segunda»? Se lhe respondemos afirmativamente, lá vem a pergunta fulminante: «então porque não vamos à piscina?». É de facto inconcebível não haver piscina às segundas. Toda a gente sabe isso. Estes pais são mesmo maus, devem ser os únicos pais do mundo que não levam o seu adorado filho à piscina na segunda-feira. Estão despedidos!
Publicado por JJ às 11:51 AM | Comentários (2)
setembro 25, 2005
O NOSSO FILO FAX
Antes lembrava-me de tudo. Tinha uma memória tão grande que quase não me cabia na cabeça. Agora, esqueço-me de quase tudo. Nem sei se me resta algum neurónio no cérebro que retenha uma informação por mais de 24 horas. Em certas situações tenho de pensar para me lembrar se ainda tenho memória. Em contrapartida, o pequenote não se esquece de nada, decora tudo o que lhe passa pela vista. Já quase que não lhe lemos as histórias dos livros. Abrimos a página e a partir da primeira sílaba ele reproduz-nos o enredo palavra a palavra. Com frequência perguntamos-lhe onde pusemos isto, ou o que fizemos àquilo, ou o que aconteceu no dia tal: «Então não te lembras pai?». «Sim filho, estou quase a lembrar-me». É verdade, o puto é quase o nosso filo fax. Já não podemos passar sem a sua memória.
Publicado por JJ às 10:13 AM | Comentários (0)
setembro 23, 2005
MANIFESTAM-SE, LOGO MATAM
Ontem no percurso para casa, mãe e filho foram apanhados pela manifestação de polícias. É claro que o episódio gerou uma conversa interminável a partir da seguinte pergunta: «o que é uma manifestação?». A mãe tentou explicar o que significa as pessoas manifestarem-se, e porque é que neste caso os polícias se manifestavam sem estarem fardados, etc. e tal. Ao que ele concluiu brilhantemente:
- Então uma manifestação é quando os polícias se despem para matar o Sócrates.
- Não filho, os polícias não querem matar o Sócrates. Eles só não estão de acordo com o Primeiro-Ministro e por isso protestam.
- Ah! Não matam o Sócrates, mas matam os ladrões.
Publicado por JJ às 10:27 AM | Comentários (0)
setembro 22, 2005
DOCES E SORRISOS QUE CALAM
Não é fácil educar uma criança nos tempos que correm. Um post anterior alertava para os perigos da fast food e da publicidade. São duas faces do mesmo fenómeno que estão associadas e se alimentam reciprocamente. O grande sucesso de empresas tipo Macdonalds deve-se em grande medida à sua eficácia publicitária, sobretudo no público mais jovem. Lutar contra essa eficácia é deveras complicado. E o primeiro passo é o mais difícil: tomar consciência sobre a perversidade que nos rodeia. Ter a noção de que a obesidade se está a transformar na praga dos tempos modernos e que afecta uma parte considerável das populações mais ricas. Pela primeira vez, corre-se o risco de entre gerações a esperança de vida diminuir devido ao aumento dos níveis de mortalidade causados por doenças associadas ao excesso de gordura. Muitos pais olham para o lado e dão de tudo aos seus filhotes, sem restrições de qualquer ordem. Com se o problema não lhes dissesse respeito: “eles são magrinhos, podem comer tudo”. Mas continuarão magros e saudáveis daqui a 10, 15 anos? E os hábitos de alimentação, quem os mudará na altura? Nessa altura a batalha já estará perdida, pelo menos para os pais. Isto não é alarmismo, é um facto estatístico e observável na rua, na praia e, sobretudo, nos centros comerciais. É difícil lutar contra esta alucinação generalizada, quando são os próprios pais os agentes activos que fomentam a ingestão de doces e de gordura para calar os filhos. Assim ninguém se chateia: eles calam-se e sorriem e nós sorrimos por que eles se calam.
Publicado por JJ às 11:48 AM | Comentários (0)
setembro 20, 2005
CANÇÃO DOS DEDINHOS NO AR
Mãozinhas perdidas que desenham no ar
Procuram coisinhas para agarrar
Pode ser as bochechas para esfregar
Ou a cabecinha para arranhar
Pequenas batutas a cirandar
Nada lhes escapa sem apertar
Vem logo a seguir a boquinha a palrar
Com as gengivas prontas a mordiscar
Cuidado bebé que ficas a chorar
O teu dedinho podes entalar
Toma a chucha para te consolar
E dorme soninhos de embalar
Publicado por JJ às 11:02 AM | Comentários (0)
setembro 18, 2005
SONHOS DE SABÃO
Conversa ao deitar, enquanto a mãe fazia festinhas na cabeça do filhote:
- Olha, agora sonha com coisas bonitas para acordares bem disposto.
- Sim, vou sonhar com bolinhas de sabão!
Publicado por JJ às 02:17 PM | Comentários (1)
setembro 17, 2005
MENSAGENS DE AMOR
No regresso à escola reencontrou a sua adorada princesa e logo no primeiro dia puseram a conversa em dia. Contaram as férias e já combinaram planos para as próximas. Trocaram os números de telemóvel e agora está constantemente a receber mensagens. O telemóvel (de brincar, claro) não pára de tocar:
- Outra vez uma mensagem! Ai esta M., está sempre a telefonar-me.
Publicado por JJ às 10:43 AM | Comentários (2)
setembro 16, 2005
PERGUNTAS DIFÍCEIS
Na confusão da manhã, entre o despir e o vestir, e o ir para a escola, eis que surge a questão:
- O que é o espírito?
Publicado por JJ às 11:25 AM | Comentários (1)
SINFONIA MATINAL
HHHHHaaaaaauuuuummmmmm... GGGGrrruuuuuuuuuu ...IIIIIIIooooooouuuuuuummmm... HHHHuuuuuéééééé...
Publicado por JJ às 09:26 AM | Comentários (1)
setembro 15, 2005
Porque não voltamos?!?
«Olha, sabes avô, Lisboa é uma cidade triste. O Algarve é mais alegre, há sempre festa».
Publicado por JJ às 05:36 PM | Comentários (0)
setembro 13, 2005
OS GORDOS
A última revista Notícias Magazine trazia um artigo sobre obesidade infantil. São alarmantes os dados referentes a Portugal. Somos dos países da Europa com um índice mais elevado de crianças gordas. Se nada for feito a tendência será para aumentar ainda mais. Nestes últimos 20 anos a sociedade portuguesa aderiu em massa e vorazmente a um conjunto de hábitos e práticas de consumo, que há mais tempo se tinham generalizado nos países ricos. Só que em Portugal tudo aconteceu muito depressa. E a consequência aí está! O país engordou e as pessoas sedentarizaram. Pararam e sentaram-se para ver mais TV, mais DVDs, mais jogos de computador… E principalmente pararam para comer comida rápida, que se faz num ápice e se engole sem dar por isso. É um paradoxo: as pessoas mexem-se menos e ingerem cada vez mais gordura e doces. O problema agudiza-se no que se refere às crianças. Se nada se fizer naturalmente são induzidas a comer essa comida fácil. Tornam-se dependentes. A publicidade é o veículo dessa dependência: a toda a hora a TV dispara imagens tóxicas que atingem eficazmente os neurónios das nossas criancinhas. Os programas e os canais infantis tipo PANDA são perversos e perigosíssimos. E são também desleais porque prendem as crianças ao ecrã com as séries animadas e depois nos intervalos bombardeiam com tudo o que têm. É um crime! Nem o governo, nem as escolas, nem mesmo as famílias parecem querer preocupar-se com este assunto. Viram-se os olhos para o lado e deixam-se os meninos e as meninas sozinhas em frente a uma montanha enorme de coisas boas.
Publicado por JJ às 11:38 AM | Comentários (1)
setembro 10, 2005
EM SETEMBRO VOLTAMOS A SER GENTE
Setembro é o mês do recomeço. Retomamos os mesmos percursos e as mesmas tarefas. Se algumas circunstâncias mudam elaboram-se novos circuitos em função das disponibilidades profissionais e quotidianas. Estipulam-se horários e dividem-se funções. Cada membro do casal tem a cargo um conjunto de obrigações que, em articulação com o outro, fazem a engrenagem funcionar. As famílias modernas organizam-se cada vez mais como se fossem autênticas empresas. Umas são mais democráticas, outras mais desiguais, umas mais conflituosas, ao passo que outras conseguem ser mais harmoniosas. Mas todas procuram os seus equilíbrios de modo a superarem as exigências deste tempo veloz que nos escorre pelos dias. É um tempo que nos endurece a pessoa e nos torna mais gente. E é uma seca ser gente!
Publicado por JJ às 07:09 PM | Comentários (1)
setembro 09, 2005
130!
Hoje levámos os dois catraios ao pediatra. Consulta de rotina: uma auscultação aqui, uma medição ali, uma reposta fácil a dúvidas de circunstância, enfim, um exame rápido como é apanágio das rotinas. Meia dúzia de minutos e ficamos a saber que está tudo bem. É para continuar a fazer o que se está a fazer. No final um aperto de mão e ao balcão um cheque de 130 euros. É quanto custa saber que tudo está conforme. Quando tiver uma profissão digna desse nome gostava de ser pediatra num consultório particular. Nada nos obriga a ir ao privado, mas no público ainda é mais a correr. E porque o assunto mete a saúde das nossas criança, não nos importamos de pagar para termos direito a mais uns minutos e saber um pouco melhor que está tudo bem.
Publicado por JJ às 09:32 PM | Comentários (3)
setembro 07, 2005
A PALMADA
Não sou adepto do uso de qualquer tipo de violência física para resolver a indisciplina infantil. Mas também não sou fundamentalista. Uma palmada no momento certo pode resolver uma autêntica crise de birras e, deste modo, pôr os pontos nos "is" no que diz respeito aos tais limites que não devem ser ultrapassados. Nestes anos que já levo de paternidade, tenho aprendido que meras ameaças ou avisos pouco ou nada resolvem. As crianças não concebem o futuro como nós. O tempo é algo imediato vivido no concreto. Por isso, o melhor é agir no momento. O que em muitos casos é doloroso. Se não agimos logo com firmeza entramos numa espécie de negociação interminável do tipo "se fizeres isso não poderás ter (ou ver, ou comer, ou ouvir) aquilo". Durante este tipo de cenas eles demonstram ter melhor capacidade de negociar que nós e puxam a corda até ao limite. Quando se ultrapassa esse limite perdemos a paciência e cedemos ou então castigamos. Uma palmada certeira pode resolver tudo à partida e ainda por cima fica-lhe na memória (pelo menos, durante as próximas horas). O efeito bem sucedido não se deve tanto à dor causada pelo acto, mas ao efeito surpresa. Uma palmada que culmina todo um rol de ameaças é uma palmada fraca e, por isso, inútil: torna-se inconsequente. Nestas situações a resposta é normalmente: "não doeu". Não doeu! É o pior que nos pode dizer. Ficamos desarmados, chegámos ao último round. E então utilizamos o argumento derradeiro: "pronto não há mais conversa vais já para o castigo e só sais do quarto para pedir desculpa". Ás vezes isto pode ser evitado com a tal palmada. Mas só às vezes.
Publicado por JJ às 09:36 PM | Comentários (0)
setembro 06, 2005
O SOL DEIXOU DE BRILHAR
Afinal choveu...
- Pai, as nuvens são más.
- Porquê?
- Porque tapam o sol!
- Não são filho, são as nuvens que trazem a chuva para as árvores crescerem. E a chuva faz falta.
- Mas as nuvens são más.
Publicado por JJ às 02:41 PM | Comentários (0)
setembro 04, 2005
O MUNDO A SEUS PÉS
Felizmente que o Verão teima em não nos abandonar. O Setembro quente não tem muita vontade de se despedir do Agosto. O ar da maresia liberta as crianças e fá-las crescer ainda com mais avidez. Será um pouco doloroso para o pequenote ver-se encaixotar no apartamento ou no perímetro circunscrito da escola. Se ao menos chovesse, a cidade pareceria mais acolhedora. Agora com este calor…
Este ano esteve um Verão estupendo, o mar sempre quente e o vento sossegado. O bebé pouco se atormentou com a areia. Quase sempre se deixou embalar pela sonoridade das ondas. E sorria ao acordar. Içava o pescoço e demonstrava uma enorme ânsia em rebolar e de auscultar o que se passava no outro lado. É uma grande conquista ver o mundo ao contrário. O problema é que os seus bracinhos ainda não sustentam esse mundo. E voltar à posição inicial é uma desilusão. Nesta altura não temos outro remédio senão pega-lo ao colo e mostrar o mundo visto cá de cima. Aí sim, sente-se senhor e rei. E todos nós estamos a seus pés. Rendidos à sua capacidade imensa de crescer.
Publicado por JJ às 05:39 PM | Comentários (0)
setembro 02, 2005
ANIVERSÁRIO
Por estes primeiros dias de Setembro faço 34 anos, falta 1 para chegar a meio dos trinta e 5 passam a correr até aos quarenta. Meu deus! Começo a sentir o que significa envelhecer. Doem-me os ossos só de pensar nisso. Com o nascimento das crianças deixei de ter paciência para festejar o meu dia de aniversário. Gostaria de não dar por ele. Mas como é mais um dia para soprar as velas e comer bolo de chocolate, acaba por ser um dia para o pequenote que, como qualquer outra criança, adora estes rituais. É ele que apaga as velas de todos os bolos que ao longo do ano se vão acendendo lá em casa. Todos os aniversários se tornam um pretexto para ele se divertir. Em certa medida é uma forma de aligeirar o peso da passagem de mais um ano. Distraímo-nos da nossa idade e só temos olhos para os seus sorrisos. E desta maneira acabamos por achar alguma graça em festejar o nosso aniversário.
Publicado por JJ às 03:42 PM | Comentários (3)
setembro 01, 2005
E NÃO É QUE VOLTEI MESMO
Olá a todos! Não resisti, tive de voltar. Pensei em acabar mas mudei de ideias. Durante o mês de Agosto fui sentindo uma saudade crescente de escrever estes pequenos textos sobre o desenrolar da vida paternal. Não há nada a fazer, ficou-me o bichinho. Provavelmente a regularidade dos posts não será a mesma, se calhar a pouca graça que tinham desaparecerá de vez. Mas que importa, continuarei a falar daquilo que me vai na alma.
PS. Muito obrigado pelos comentários ao post anterior.
Publicado por JJ às 10:38 PM | Comentários (3)
agosto 03, 2005
NÃO SEI SE VOLTO
Nestes primeiros dias de Agosto o calor aperta. A cidade, embora vazia de gente, está pesada e quente. Os putos impacientam-se e anseiam por praia. Está quase, no final da semana rumaremos novamente para o Sul. O blogue da paternidade encerra para férias. Foram seis meses em que me diverti imenso a escrever pequenos episódios quotidianos e alguns delírios que assaltaram a mente um pouco confusa de um pai trintão. Tentei contar uma paternidade vivida no dia-a-dia cheia de amor, mas também de alguma angustia e, por vezes, desilusão com o mundo. Não sei se voltarei em Setembro. Mas, independentemente do que aconteça, queria dedicar este blogue à mulher da minha vida, que me tem acompanhado nestes últimos doze anos. Ela é a única pessoa que sabe o verdadeiro nome de JJ. Se voltar será por causa dela. Obrigado a todos aqueles que passaram por cá. Até logo!
Publicado por JJ às 04:28 PM | Comentários (3)
agosto 01, 2005
MERGULHO NA SANITA
Dá-lhe de repente assim de um momento para o outro, e vem logo ter connosco aflito.
- Pai, quero fazer cocó.
- Vá vamos lá.
Depois de pô-lo em cima da sanita, exige que se saia. E lá fica sozinho a fazer força. Normalmente não demora muito tempo. É sentar e largar. Mas há sempre dias em que a coisa exige um maior esforço. Numa dessas vezes não resisti em espreitar. Estava numa posição um pouco desequilibrada apoiando-se só numa mão. Com a outra apertava o nariz, como se estivesse em posição de mergulho. Não resisti:
- Filho, o que é que estás a fazer? Por que é que tens a mão no nariz?
- Pai, não vês que o cocó cheira mal. Tenho de tapar o nariz antes de fazer. Vai-te embora!
Publicado por JJ às 08:55 PM | Comentários (0)
julho 31, 2005
ADEUS JULHO
Hoje é o último dia de Julho! O Agosto vem aí de rompante e já se vai sentindo os dias mais pequenos e algumas folhas a cair. Porque raio estes meses de Verão passam a correr? Era tão bom que Julho durasse assim tanto tempo como o mês de Janeiro.
Publicado por JJ às 10:06 AM | Comentários (0)
julho 29, 2005
A COZINHA
A cozinha é um espaço em perpétua mutação. Arruma-se e desarruma-se várias vezes por dia. E é tão fácil sujar uma cozinha: qualquer reles refeição enche o lava-loiça. O fogão fica sempre numa lástima. A toalha de mesa transforma-se todos os dias numa pintura abstracta cheia de cores diversas, composta pelas mais variadas texturas, sobretudo, do lado do pequenote. E o chão… o chão nem vale a pena falar. Sujar não só é fácil, como dá um certo prazer. Gosto de cozinhar, é uma tarefa que não me importo realizar todos os dias. A composição de um prato acaba por ser um acto de recriação, que aprecio. Às vezes exagero na imaginação e a coisa nem sempre corre bem. Mas é esse o desafio: fazer com que os ingredientes entrelacem entre si e formem um todo harmonioso, que saiba bem. Dá-me prazer ver a família gostar de comer.
Já limpar a cozinha é uma chatice. Os restos amontoam-se no caixote do lixo e alguns despojos teimam em agarrar-se aos tachos e, também, aos pratos, aos copos, às travessas, aos talheres…. Metade da loiça não pode ir para a máquina. Por isso, às vezes, dá mais trabalho separá-la e passá-la por água do que lavá-la e esfregá-la todinha no lava-loiça. Mas o prior de tudo é limpar o fogão. Por mais que se limpe parece que a gordura nunca sai. Não há pachorra para o fogão. Que se lixe o fogão! Em certos dias nem olhamos para ele, fica para ali a um canto à sombra da chaminé. Na verdade, em certas alturas dá mesmo vontade de fechar a porta da cozinha, trancá-la a cadeado e nunca mais voltar.
Publicado por JJ às 01:42 PM | Comentários (0)
julho 28, 2005
A VOZ E O POETA
Há medida que envelheço vou ficando cada vez mais fora da moda (e de moda). Nunca estive na moda, mas antes preocupava-me em estar a par de algumas novas coisas. O problema é que actualmente o novo cheira sempre a velho reciclado. Ao nível da música o que aparece como novo são normalmente cortes e colagens de sons que já existem. Mas, às vezes, surgem roupagens novas em temas antigos que nos seduzem. É o caso do último disco de Maria Bethânia que canta canções de Vinicius de Moraes. São temas que nos acompanham desde de sempre vestidos por uma voz única, que sabe o que faz. A envolvência sonora não cai em modernismos bacocos e em mixagens extenuantes e vazias de conteúdo, que agora estão na moda. É pura e simplesmente uma voz e nada mais. Uma voz que nos enche da palavra tristemente doce do poeta.
Publicado por JJ às 02:22 PM | Comentários (0)
julho 27, 2005
CANÇÃO DOS DIAS FELIZES
Sorrisos, sorrisos, tantos sorrisos
lindos, lindos, tão lindos.
Dedinhos a brincar nas mãos
Mãos que procuram os dedinhos
Tossinhas, grunhidinhos, punzinhos
Doces sons e cheirinhos
Chapinhar nas delícias da água
Salpicos e bolinhas de sabão
Tra-la-li, tra-la-la
E assim são os dias embalados pela nossa pequenina paixão
Publicado por JJ às 05:45 PM | Comentários (0)
julho 24, 2005
RÁBULA PARA UMA TARDE DE DOMINGO
Numa tarde amena de um domingo de Verão
O amor entrou na cidade
Veio devagarinho
Subiu as ruas vazias de gente
Cansou-se de tanto andar
Mas não encontrou ninguém
Voltou para trás
No regresso deixou as suas marcas
Estão aí ao vosso lado
Não se esqueçam de as encontrar
Publicado por JJ às 06:36 PM | Comentários (0)
julho 22, 2005
SOBRAM AS PAREDES
A densificação das malhas urbanas de Lisboa e do Porto são consequências estruturais de uma política continuada de falta de investimento nas pessoas e nas regiões (sobretudo do interior). Nas últimas duas décadas o investimento público e privado canalizou-se fundamentalmente para o betão, para as paredes.
Como aumentaram as paredes durante estes 30 anos de democracia! E é cada vez mais difícil circular pelas grandes cidades sem esbarrar numa. As paredes fecham as pessoas, isolam-nas à comunicação e à relação. Talvez por isso tenhamos uma obsessão por telemóveis. Deve ser uma forma de ultrapassarmos as paredes que nos rodeiam. Mas o problema é que as paredes multiplicaram-se e as pessoas pararam, vivem sufocadas e chegaram a um ponto onde não há mais saída.
O betão assaltou as cidades, o alcatrão cortou as serras, e os campos esvaziaram-se ainda mais. Esvaziaram-se tanto que deixaram de ter memória, resta-lhes a memória das cinzas: as pessoas já não se lembram do desenho daquela que era a sua paisagem (a da infância). Perderam-se os alicerces do tempo, já não há nada a fazer neste país. Saiamos todos! É tempo de fugir das paredes e das cinzas.
Publicado por JJ às 04:16 PM | Comentários (0)
julho 20, 2005
AS JANELAS
Já se falou neste blogue de portas que se fecham. É engraçado o facto de normalmente se utilizar a imagem da porta para ilustrar a distância entre pessoas e relações. Ao invés, quando falamos de abertura usamos a imagem da janela. Abrir uma janela é um acto de liberdade e de amor com o mundo. Já as portas… essas servem para nos fechar em casa. A propósito das janelas que abrem, lembro-me sempre da letra da canção do Sérgio Godinho “A Noite Passada”:
A noite passada um paredão ruiu
pela fresta aberta o meu peito fugiu
estavas do outro lado a tricotar janelas
vias-me em segredo ao debruçar-te nelas
cheguei-me a ti e a marca ficou lá
o sol inteiro caiu entre os montes
e então tu olhaste
depois sorriste
disseste “ainda bem que voltaste”
Publicado por JJ às 09:10 PM | Comentários (0)
julho 19, 2005
PORTUGAL DOS PEQUENINOS
- Ó pai, quando me fores buscar à escola podemos ir ao Algarve?
- Não pode ser filho, o Algarve é muito longe de Lisboa.
- Mas pai, Lisboa não é Algarve pois não?
- Não.
- E Tavira é Algarve?
- Sim, Tavira pertence ao Algarve.
- Então porque é que Lisboa também não pertence!
Publicado por JJ às 06:28 PM | Comentários (1)
julho 17, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (X)
Deixámos o Algarve no seu esplendor. Talvez tenham sido os melhores dias de praia da estação: dias amenos, águas mornas e noites não muito frescas. O ar não esteve pesado, o que permitiu encher os pulmões daqueles aromas únicos que cruzam o azul da maresia com o verde escuro dos montes. A proximidade entre o mar e da serra dão ao Algarve uma beleza particular que passa desapercebida à maior parte dos turistas. É claro que tudo se torna ainda mais saboroso quando acompanhado por umas deliciosas sardinhas assadas ou por uns carapauzinhos “alimados”, para não falar das belíssimas cavalas “escaladas”. Tão bom que até nos esquecemos da barriguinha!
Publicado por JJ às 02:53 PM | Comentários (0)
DIÁRIO DE PRAIA (IX)
O Algarve está a transformar-se numa região de misturas culturais e étnicas. Pessoas de diferentes nacionalidades e de distintos estatutos sociais cruzam-se nas ruas, nas praias e também nos campos do Sul. Para além do turismo, o advento da imigração trouxe muita gente vinda das mais distantes partes do mundo, sobretudo, do Brasil e da Europa do Leste. Ucranianos, Moldavos e Romenos espalharam-se por toda a região e trabalham nos mais variados sectores, incluindo a agricultura. Nas povoações rurais vivem em paredes meias com os autóctones. Do que me tenho apercebido, não se detectam nestas comunidades grandes sinais de conflitualidade. As pessoas queixam-se do aumento dos roubos, mas não o associam necessariamente à imigração. De uma maneira geral até são solidárias ou compreensivas em relação ao drama que atormenta a vida destes imigrantes que vêm de muito longe. Nesta semana ouvi uma história muito triste que se passou com um casal de imigrantes jovens recém chegados a Portugal, estavam cá há pouco mais de um mês. Quando chegam estas pessoas têm normalmente três problemas para resolver: arranjar trabalho e um sítio para dormir, e encontrar um meio de deslocação entre a casa e o trabalho. Este último aspecto pode representar uma grande dificuldade sobretudo no meio rural. É costume verem-se imigrantes a palmilharem as estradas e os caminhos campestres (muitos deles em mau estado) a pé ou de bicicleta. Este meio é bastante utilizado e normalmente sem o mínimo de condições de segurança. Foi precisamente o que aconteceu com aquele jovem casal. Ele ia a pedalar e ela, imagine-se, sentada em cima do volante. Um desequilíbrio causado por uma distracção momentânea (o pé da mulher entalou-se nos raios da roda dianteira) causou a morte imediata do marido que caiu de cabeça. Depois de tanto sacrifício vivido lá e cá, a pequena réstia de esperança deste casal desmorona-se no chão do Algarve. No entanto, esta história tem um outro lado, que não compensa o desespero da morte mas que, pelo menos, nos aconchega a consciência: a comunidade que acolheu o casal mobilizou-se e organizou um peditório para pagar o funeral. Nada de mais, dir-se-á! Mas num Mundo em que o sentimento de desconfiança em relação ao outro se generaliza a passos largos, esta pequena acção tem algum significado. Pelo menos simboliza uma certa comunhão com o drama do outro. E, por isso, se tornou também num drama nosso.
Publicado por JJ às 09:27 AM | Comentários (0)
julho 16, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (VIII)
Pois é, saboreámos esta semana um aperitivo de praia. Em Agosto voltaremos em força! Nessa altura também entraremos de férias aqui no blogue. O Agosto continua a ser o mês da grande romaria para o Sul. É altura em que o país urbano quase pára. As maiores cidades esvaziam-se e tornam-se, por isso, mais agradáveis para os turistas que as visitam. Lisboa em Agosto é uma cidade muito agradável sem trânsito e com muitos lugares para se estacionar. A este propósito lembro-me sempre de um filme que já referi aqui, e que é um dos filmes da minha vida: "Querido Diário". O primeiro episódio conta precisamente a história de um realizador de cinema (o próprio Moretti) que dembula pelas ruas de Roma montado numa vespa em pleno mês de Agosto. A cidade está deserta e o realizador aproveita para apreciar a fachada arquitectónica de alguns bairros. Vai matutando na ideia de um filme musical sobre a vida de um pasteleiro trotskista na Itália dos anos 50. Procura cenários exteriores e interiores para o filme. Acompanhamos o realizador nos seus itinerários transportados por uma musicalidade luminosa. O mesmo se poderia fazer em Lisboa, que é uma cidade magnifica. Tem uma cor e uma luz únicas, que se tornam ainda mais doces nos meses de Verão (sobretudo ao entardecer). Deixemos então Lisboa respirar em Agosto.
Publicado por JJ às 02:37 PM | Comentários (0)
julho 15, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (VII)
A praia é por excelência o lugar das crianças. Ficam deslumbradas com o vai-e-vem das ondas e com a extensão libertadora da areia. Correm, caiem, e voltam a levantar-se um número interminável de vezes. E não se queixam das nódoas negras, nem dos arranhões provocados por alguns pedaços de conchas mais matreiros. Chapinham e engolem água até quase rebentar. As barrigas incham de tal modo que o chichi parece inesgotável. Riem e gritam felicidade! O pequenote não pára até à hora de ir embora. E só se convence em calçar as sandálias porque a fome teima em apertar. O bebé dorme continuamente embalado pela sombra do chapéu de sol e de vez em quando solta sorrisos de encantar. Tudo isto é para nós uma canseira: carrega-los para a praia e andar atrás das suas deambulações. Mas, não há duvida, ficamos cheios de nós ao vê-los assim a crescer felizes.
Publicado por JJ às 07:35 AM | Comentários (1)
julho 14, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (VI)
Abrir as janelas do carro, aumentar o volume do CD que está a tocar, cantar em voz viva aquelas músicas que já conhecemos há muito (desde os tempos do vinil ou da k7), deixar entrar o vento da maresia levar-nos os cabelos (que no meu caso já vão sendo poucos), são das sensações mais agradáveis desta estação. Por isso, manifesto-me aqui contra praga do ar condicionado que veio assassinar o Verão! Toda a gente anda de vidros bem cerrados com medo do vento e do calor. Fecham-se nos carros e perfumam os estofos e os plásticos com aromas artificiais a saber a frutas fora de época. Quando chegam à praia transportam esses odores até à areia . Depois besuntam-se com óleos para ficarem acastanhados, da cor daqueles chocolatados em pó meio avermelhados. Com isto tudo nunca chegam a entranhar a brisa do mar. Vivem o Verão com repelentes. Repelem o mar, o sol, o vento, e até repelem a areia, porque já não se deitam em toalhas mas sim em espreguiçadeiras altas longe das conchas.
Publicado por JJ às 01:55 PM | Comentários (0)
julho 13, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (V)
O catraio está cá um tagarelas! Não pára de falar. Às vezes é uma carga de trabalhos para leva-lo a qualquer lado. Pára a cada passo para perguntar ou contar qualquer coisa. Depois aponta para aqui ou para ali e comenta o que vê, ou o que não vê, ou o que era suposto ver. Na praia não pára, fala praticamente com quem se cruza seja ela criança, adulto ou idoso. Muitas vezes dão-lhe conversa e então é vê-lo desenvolver um daqueles diálogos surreais que parecem não ter fim. Em certos momentos temos dificuldade em apanhar o fio à meada, pois passa de uns assuntos para outros sem percebermos muito bem do que é que está a falar. A realidade real mistura-se com a realidade encantada das histórias dos livros e dos filmes. A páginas tantas estamos tão confundidos que não conseguimos evitar que se irrite com a nossa ignorância e falta de sensibilidade para os seus cenários criados na estratosfera. Tentamos apanhar o fio à meada mas já é tarde demais, vira-nos as costas e sai esbaforido. Segundos mais tarde ouvimo-lo a dialogar sozinho e a construir enredos inalcançáveis à nossa limitação de adulto.
Publicado por JJ às 09:30 AM | Comentários (2)
DIÁRIO DE PRAIA (IV)
O extenso horizonte azul do mar impele-nos a pensar a vida pessoal e o rumo do Mundo de uma maneira mais esperançosa. Talvez devido à luminosidade das cores que nos ofusca o real sentido da vida. Estes dias de Verão acabam por ser um hiato nas nossas labutas diárias e, por momentos, parece que conseguimos transcender os problemas e olhamos para eles como se não nos pertencessem. São sensações agradáveis mas efémeras. No entanto, agarramo-nos a elas com toda a força. Pode ser que algumas fiquem connosco nos tempos de intempérie.
Publicado por JJ às 12:02 AM | Comentários (1)
julho 12, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (III)
Parecia um quadro impressionista. Os raios de sol teimavam em romper os buraquinhos do estore e esbatiam-se na parede sob um efeito de pinceladas toscas. Perto da janela a mãe acabava de vestir o seu filho e penteava-lhe os cabelos dourados, ao mesmo tempo que falava em voz de segredo.
– Estás tão lindo meu filho. Quando fores crescido vais ter muitas namoradas. - Ao que ele respondeu um pouco indignado. – Não mãe, eu só tenho uma namorada é a M.! – Depois de ter dito estas palavras o quadro completou-se e, por momentos, regressámos aos tempos perdidos do romantismo. É tão lindo este amor inocente, que nos faz ter uma réstia de esperança no Mundo!
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julho 11, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (II)
Uma das sensações mais agradáveis proporcionadas pelo Verão é a de retorno. Retornar aos lugares habituais, que nos preenchem a memória da infância e da adolescência, é sempre revigorante. Desde que me conheço que regresso aos aromas e às águas translúcidas da Ria Formosa. Faz parte do meu DNA! Todos os Julhos e Agostos reencontro-me na doçura deste mar algarvio, que é o mais doce de todos os mares. E disso é testemunha a bela ria que em certos intervalos sem areia se deixa beijar delicadamente pelo grande oceano. Envolvem-se os dois num jogo de danças apaixonadas, tão poderoso e tão efémero, capaz de transformar a paisagem numa singularidade permanente.
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julho 10, 2005
DIÁRIO DE PRAIA (I)
Este blogue acaba de inaugurar a época balnear. A partir de agora e no próximo mês iremos todos os dias a banhos num mar azul e muito quentinho. A maré estará sempre cheia de amor e de cor. Contaremos pequenas histórias reais, mas muito imaginadas, sobre episódios insignificantes que nos encheram a vida. Serão episódios de amor. Para começar transcrevo um pequeno diálogo com o cachopo (que está apaixonado), decorrido ao longo do trajecto de carro até ao infantário.
De repente perguntou-me com aquele ar meio malandreco, meio tímido:
- Pai, sabes uma coisa?
- O quê filho.
- Sabes, eu vou te dizer um segredo. Eu dei um beijinho na boca da M.
- A sério! E ela não ficou zangada?
- Não, ela gostou.
- Ai é. Mas antes de dares o beijinho tens de perguntar. Ela pode levar a mal.
- Mas ela gostou. E tu também gostas de dar beijinhos na boca, não gostas pai?
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julho 08, 2005
COMO EDUCAR PARA ERA DO TERROR
O atentado de ontem em Londres, como todos os anteriores, representa um atentando contra nós, contra as nossas cidades e os nossos modos de vida. Não nos podemos refugiar no conforto ilusório deste pequeno rectângulo à beira mar plantado. Vivemos num Mundo cada vez mais globalizado. Daqui a vinte anos quando os nosso filhos entrarem na idade adulta, andarão por todas cidades da Europa e do Mundo com a mesma facilidade que agora nos deslocamos ao Porto ou ao Algarve. Muitos formar-se-ão e trabalharão em cidades como Londres. E farão a mesma vida que faz qualquer londrino: andar de metro ou de autocarro todos os dias, ir aos supermercados, aos bancos, passear nos mesmos parques e ruas… E, neste sentido, andarão sempre em risco e em perigo potencial. A possibilidade de um atentado estará cada vez mais presente nas nossas vidas. É uma roleta russa! Estamos a entrar na era do terror urbano. Não podemos fingir que não queremos saber ou, pura e simplesmente, ocultar este facto aos nossos filhos. Mais tarde ou mais cedo teremos que alerta-los para este mundo. Como pai é uma coisa que me vai afligindo. Sinceramente não sei como se educa para esta era do terror sem alarmar e assustar as crianças e os adolescentes. É tornar a ideia e a sensação de terror algo natural que faz parte do dia a dia? Teremos que educar uma geração a saber ser fria, racional e não se deixar abater pelos dramas e tragédias humanas? São questões que me vêm à cabeça e para as quais não tenho resposta.
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julho 07, 2005
A INOCÊNCIA
Bom dia!
Não há nada mais belo do que ver o sono do bebé a ser despertado pelos raios de sol que irradiam da janela. Dorme tranquilamente no berço como um anjo. É tão sublime esta inocência! Felizmente o mundo ainda lhe é indiferente.
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julho 05, 2005
UMA POLÍTICA PARA A FAMÍLIA
O post anterior, que estranhamente foi muito pouco comentado, levou-me a reflectir sobre a ineficácia e a incapacidade dos nossos políticos e governantes em proporem e implementarem uma política de família verdadeiramente inovadora capaz de promover o bem-estar social, educativo e sexual. Bandeiras como o planeamento familiar, a despenalização do aborto, o apoio à maternidade e à paternidade, a facilitação do processo de adopção, o incentivo à natalidade, o casamento entre homossexuais, são propagadas praticamente desde 1974, mas não saem do papel ou das meras boas intenções. Avança-se pontualmente, num ou noutro aspecto, mas, no essencial, não existe uma política estratégica que, pelo menos, consiga compensar o aumento do custo de vida e as perdas consecutivas que se têm verificado no direito (e nos direitos) do trabalho. Para uma tal política é preciso dar um primeiro passo decisivo: assumir a família no plural. Ou seja, deixou de ser possível conceber a família como uma instituição relativamente estável e fixa. A família muda de dia para dia, não só devido aos reagrupamentos causados pelas separações e pelas novas uniões, mas porque as condições e os modos de vida também mudam mais aceleradamente: o problema do desemprego, o stress da vida moderna, a instabilidade afectiva e sexual, são, entre outros, factores que ameaçam constantemente a estabilidade familiar. Constituir e manter uma família é cada vez mais um desafio. Deverá, por isso, ser apoiada por uma política concreta!
Publicado por JJ às 09:31 PM | Comentários (0)
julho 03, 2005
A REVOLUÇÃO CULTURAL
O que está acontecer em Espanha é uma autêntica revolução cultural produzida, neste caso, por um partido socialista. Já não estávamos habituados a estas coisas, sobretudo, quando em Portugal vemos o partido congénere a esfumar-se em retóricas e práticas cada vez mais neoliberais e até conservadoras. A legalização do casamento entre homossexuais e a possibilidade destas famílias poderem adoptar crianças, é, sem sombra de dúvida, um avanço civilizacional considerável nesta Europa cinzenta.
O tema da adopção é o mais polémico. Sobre este assunto tenho uma visão humanista. Pois acho que tentar “cientificar” estas temáticas é fugir ao assunto. A ciência jamais poderá resolver questões que são exclusivamente do foro das relações humanas. O argumento conservador contra a adopção assenta fundamentalmente no suposto perigo da reprodução de comportamentos e práticas. Isto é, segundo a sua lógica elementar e básica, as crianças educadas por homossexuais tornar-se-ão fatalmente homossexuais. E isso não só seria contra natura como representaria o fim de quase tudo (da família, da civilização, da humanidade). Bem, acho que é um argumento sem grande sustentação. No entanto, parece-me que para estes sectores conservadores o verdadeiro busílis da questão tem a ver principalmente com a homossexualidade masculina: uma criança educada por dois homens! Isto sim é algo de novo. Na verdade, praticamente até à geração anterior os homens pouco participaram na educação dos seus filhos. Na maior parte dos casos estavam ausentes (trabalhavam fora, emigraram, fugiam ou iam para a guerra). Sempre foram as mulheres (mães, tias, avós) que em conjunto socializaram as crianças dos nossos países europeus civilizados. Agora, quando se põe a possibilidade de uma criança ser educada sem a presença maternal da mulher, tudo se torna mais complicado. Nesta óptica as famílias compostas por casais homossexuais masculinos são consideradas duplamente anti-natura: não são heterossexuais e não têm a presença da figura maternal feminina.
A minha posição como homem, pai e, já agora, heterossexual é claramente favorável à adopção de crianças por parte de famílias gays. Como, até certo ponto, tento demonstrar neste blogue, os homens conseguem deter toda a sensibilidade, capacidade de dedicação e amor para criarem uma criança proporcionado as condições necessárias para que esta não se sinta carente nem discriminada. Considero que se o casal homossexual tiver a preocupação de diversificar os meios e os agentes de socialização, não impondo nem práticas nem concepções de vida rígidas, para além de conseguir despender muito afecto e carinho, está tão apto como outro casal qualquer para exercer a tarefa de educar uma criança. E afinal de tudo o que mais importa é que estas (as crianças) possam ser felizes e ter uma família que ampare a sua trajectória até à idade adulta.
Publicado por JJ às 10:26 PM | Comentários (2)
DEZ ANOS ENTRE O AMANHECER E O ANOITECER
Vi há uns meses no cinema o filme “Antes do Anoitecer”, não tinha visto o que lhe antecedeu “Antes de Amanhecer”. Vi-o ontem em DVD. Entre um filme e outro decorreram mais de dez anos. O primeiro conta a história de dois adolescentes que se encontram por acaso no comboio e resolvem sair na estação de Viena. Entre o final do dia e o amanhecer do seguinte vão-se apaixonando à medida que percorrem a cidade. De manhã tomam diferentes rumos, mas marcam um encontro na mesma cidade dali a seis meses. No filme mais recente sabemos que este nunca aconteceu e só voltam a ver-se dez anos depois, desta vez em Paris. São dois trintões desajeitados que trocam novamente o olhar sem conseguirem rever-se. A última década das suas vidas foi marcada por esse dia que agora não sabem como retomar. Ela tentou esquecê-lo entregando-se a causas humanitária, ele tentou esquecê-la escrevendo um livro sobre a ilusão daquele dia. Passaram anos a reviver o tempo perdido, imaginando possíveis encontros. Quando voltou a acontecer, percorreram outras ruas à procura de uma paixão que ficou suspensa. Nunca saberemos se a reencontraram verdadeiramente depois de ter anoitecido.
Publicado por JJ às 09:57 AM | Comentários (1)
julho 02, 2005
OS TEUS OLHOS
Os teus olhos perderam o nublado e abrem-se para desvendar o mundo. Redondinhos brilham de espanto a tudo que auscultam. Viram e deambulam à procura de movimento e de cor. Mas não se perdem nas várias reviravoltas do dia: a mudança das cadeiras, os rodopios do mano, os guinchinhos (às vezes tenebrosos) das avós, as gargalhadas poderosas do avô, a promiscuidade de sons da TV, do rádio e do leitor de CDs, o sobe e desce do elevador, o trepidar do carro… Nada disto afecta os olhos tranquilos sabedores de instintos simples. Desde que não te falte alimento e que os gases não te chateiem, a tua vida desenrola-se numa perfeição que nos mete inveja.
- Olha, estás a ver! Eu sou o teu pai. Já vivi trinta e tal anos, mas sei muito menos do que tu sabes agora. São os teus olhos que me ensinam. Será que conseguirei aprender?
Publicado por JJ às 10:13 AM | Comentários (0)
julho 01, 2005
FINALMENTE JULHO
Entrámos em Julho, o ano de 2005 já passou a sua metade. Os meses de Verão chegaram! É altura de celebrar a vida, pôr os problemas atrás de qualquer coisa e aproveitar a brisa revigorante da maresia. Os tempos que correm não estão para muitas reflexões e contemplações. O país está mal, a vida do dia-a-dia complicou-se. E isso afecta a nossa disposição. Resta-nos assim rumar para o Sul à procura do sol e do mar. O país precisa de encher os pulmões de azul para poder resistir às intempéries da invernia. Que se lixem as filas, os arrastões e os empurrões. Mergulhemos no mar e libertemo-nos das coisas que não interessam. Fiquemos só com aquelas que são verdadeiramente importantes. Boas férias!
Publicado por JJ às 10:25 AM | Comentários (0)
junho 30, 2005
ERA DIFERENTE DOS OUTROS
Foi por intermédio do Barnabé que soube o que era um blogue. Conheço os cinco carolas que iniciaram aquele projecto, sobretudo, o Rui e o Celso. Assisti ao seu nascimento durante um encontro no Chapitô numa noite de Verão. Por isso, tornei-me um leitor assíduo desde os primeiros posts, em Setembro de 2003. Não concordei com muita coisa que foi escrita, mas reconheço-me naquela irreverência e acutilância satírica que entusiasmou a blogoesfera durante quase dois anos. Era tão familiar que até o pequenote o reconhecia no computador: «olha pai, outra vez o Barnabé no ecrã». Tenho pena que o Barnabé acabe desta maneira.
Publicado por JJ às 06:25 PM | Comentários (0)
junho 29, 2005
ESTA LÁ! QUEM ÉS TU?
Recordam-se daquela história contada no filme do Nanni Moretti “Querido Diário”, em que as crianças de uma ilha tomam conta das relações entre os adultos através do controlo do telefone? Pois é, cada vez me lembro mais deste episódio. Sempre que o telefone toca corre para atender e se não atende quer sempre falar. É claro que com a generalização do telemóvel a coisa torna-se ainda mais surreal em relação ao quadro contado por Moretti. Em qualquer altura e em qualquer lugar estende a mão e diz: «pai quero falar». Se estamos a falar com pessoas que não pertencem ao núcleo familiar ou de amigos mais próximos é sempre uma situação constrangedora: ou perdemos a vergonha e pedimos ao interlocutor do momento se não se importa de falar com a criança, ou não lhe damos o telefone e aturamos uma birra depois de desligar. Quando vi o filme ainda era estudante universitário e vivia noutro mundo: no mundo da esperança. E na altura pensei que aquela situação era uma aberração e que tudo se resolvia com uma boa educação. Agora que vivo no mundo da realidade sei que a educação não resolve tudo e que muitas vezes cedemos porque simplesmente já não temos forças para aturar birras. É assim que se acabam as utopias.
Publicado por JJ às 09:42 AM | Comentários (0)
junho 28, 2005
MISSÃO IMPOSSÍVEL
Manter em casa uma criança de 4 anos, que está doente, sem poder tocar e aproximar-se do irmão bebé, que é irresistível.
Publicado por JJ às 04:35 PM | Comentários (3)
junho 27, 2005
SENSAÇÕES
É difícil pôr em palavras aquilo que se vai sentindo quando nos tornamos pais. Em certa medida este blogue tem tentado descrever algumas dessas sensações únicas. Uma das mais profundas é aquela que sentimos quando eles adoecem. O nosso corpo parece que desagua no deles e nos faz participar das suas dores e dos seus estados. É uma sensação estranha mas que se deve, em grande medida, à intensa proximidade física e afectiva que envolve e conduz todos os nossos gestos. Uma parte deles (dos nossos filhos) parece que nunca saiu de nós. Ficou-nos! Como se tratasse de um permanente sinal que nos toma e nos leva a mundos quase inalcançáveis.
Publicado por JJ às 06:17 PM | Comentários (0)
junho 26, 2005
ADOECEU
Hoje uma das nossas flores murchou. Está doentinho o pequenote mais velhinho. As bochechas andaram quentinhas e descaídas todo o dia. A febre escondeu-lhe o sorriso e a sua alegria natural. Amanhã lá rumaremos ao pediatra.
Publicado por JJ às 09:54 PM | Comentários (1)
junho 25, 2005
A ESCOLA
A pequena história contada no post anterior refere-se a uma série de episódios que temos vivido na escola do nosso catraio. É um externato privado que já teve os seus tempos de glória, mas que ainda mantém traços de um projecto pedagógico interessante e relativamente bem conduzido. No entanto, é uma escola que, para o bem e para o mal, parou no tempo. Por exemplo, é uma escola onde se preza as relações informais e que tenta manter um espírito familiar e de proximidade, que, provavelmente, já não é muito usual nos tempos que correm. Este aspecto é, de um certo ponto de vista, positivo. Contudo, o excesso de informalidade tem um reverso: desresponsabiliza. Isto é, as solicitações e as questões que surgem, nomeadamente por parte dos pais, são remetidas para a conversa informal, que normalmente são diálogos agradáveis em que os educadores têm uma atitude compreensiva e muito aberta à discussão. O problema é que tudo se dilui no bla-bla-bla e pouco se faz para tentar resolver os problemas evidenciados. De facto, muitas vezes faz lembrar aquilo que as famílias têm de pior: a incapacidade de resolver os problemas, que muitas vezes são debatidos até à exaustão, e a tendência para enterrar a cabeça na areia e deixar andar. É claro que o espírito familiar tem destas coisas: por um lado, é agradável, mas, por outro, torna-se verdadeiramente irritante e útil para manter um certo status quo. E, além do mais, para família já basta a nossa. Uma escola é antes de mais uma instituição que presta um serviço educativo que se quer de qualidade, nos mais variados os aspectos: formais e informais, pedagógicos e materiais. Todos eles são importantes! Infelizmente a maior parte das escolas remetem para segundo plano alguns desses aspectos. Muitas dão ênfase sobretudo às questões materiais e formais. São as escolas que vivem à custa da boa imagem e que em termos pedagógicos são uma nulidade. Estas são as piores! Outras há, como a do nosso filho, que desconsideram em demasia as questões materiais e formais e entendem que a pedagogia resolve tudo. A conclusão é que não há escolas perfeitas. Como não há famílias perfeitas. Mas quer numas, quer noutras, o pior que se pode fazer é esconder os problemas e não querer saber.
Publicado por JJ às 06:54 PM | Comentários (2)
junho 24, 2005
ERA UMA VEZ UMA ESCOLINHA…
Era uma vez uma escola muito velhinha que tinha uma professora muito boa e uns meninos encantadores. Os pais dos meninos gostam muito da escola e da professora. Mas andam preocupados porque a escola está cada vez mais velhinha. Um dia falaram à professora que era preciso fazer qualquer coisa para que a escola não envelhecesse tanto. Mas a professora não quis saber e continuou a ensinar e a contar aos meninos coisas bonitas cheias de muitas cores, ao mesmo tempo que a escola ia ficando mais cinzenta. Passado algum tempo os pais quiseram marcar uma reunião e ficaram muito aborrecidos com a professora porque esta recusou-se. Achava que estava tudo bem e que não era preciso nenhuma reunião. Assim a escola que era muito alegre, apesar de ser velhinha, tornou-se um pouco triste. E os meninos acharam estranho, porque os pais e a professora começaram a falar de maneira diferente. Até a árvore do quintal chorou o bocadinho.
Publicado por JJ às 11:00 AM | Comentários (1)
junho 23, 2005
VEGETANDO
Com o acumular de noites mal dormidas parecemos autênticos “zombis”. Tentamos vegetar durante o dia e basicamente conseguir reagir às várias solicitações. Ás vezes é difícil, só à segunda ou à terceira conseguimos mais ou menos depreender o que nos querem dizer. Em certas alturas vamos a caminho de qualquer rumo e quando o encontramos já nos esquecemos o que lá íamos fazer. A casa transformou-se num circuito no qual andamos às voltas, às voltas sem saber muito bem o que íamos buscar e o que era suposto levar. Quando falam connosco afirmamos sempre que sim, mas raramente pensamos no que nos estão a dizer. O que em muitos casos se transforma numa vantagem na medida em que acabamos por não aturar palavras que não interessam e que são ditas a mais. O cansaço leva-nos a filtrar aquilo que interessa. O pior é quando falamos um com o outro. Parecemos dois surdo mudos. Não há dúvida, estamos à beira de ser internados num asilo. Alguém salve esta família!
Publicado por JJ às 08:29 AM | Comentários (2)
junho 20, 2005
É UMA QUESTÃO DE TROCA
Ontem esteve todo o dia excitado com a ida ao espectáculo da Adriana Calacanhoto. Por isso, passou toda a manhã a ouvir o CD. Durante a audição do mesmo, teve este diálogo com a mãe:
- Pode-se trocar de mãe?
- Porquê, gostavas de trocar de mãe?
- Sim, a Adriana Calcanhoto não pode ser a minha mãe?
- Não filho, porque não andou contigo e com o mano na barriga como eu andei. E além disso, a mãe trata de vocês todos os dias.
Ficou um pouco decepcionado e disse:
- E tu andaste dentro da barriga de quem?
- Da avó M.
- E ela andou dentro da barriga de quem?
- Da mãe dela que era uma avó velhinha e que já morreu.
Pensou um bocado e chegou a esta brilhante conclusão:
- Então ela já pode trocar de mãe!
E depois acrescentou:
- Por isso, quando tu morreres já posso trocar pela Adriana Calcanhoto.
Publicado por JJ às 10:53 AM | Comentários (2)
junho 19, 2005
A FESTA FOI BONITA
Ontem decorreu a festa de final do ano lectivo. Os meninos portaram-se todos bem e o espectáculo foi muito engraçado. Para além de conseguirem decorar as letras das canções e os guiões das pequenas dramatizações, alguns miúdos demonstraram uma capacidade de improvisação impressionante. Dá gosto assistir a tanta vitalidade quando as coisas são feitas com apreço e com muito amor. Estas festas deixam marcas na memória das crianças e todo o empenho investido poderá dar frutos mais tarde. Mas é preciso tratar muito bem desse potencial e esperar que amadureça. E essa é uma tarefa que só os pais poderão fazer. Estamos cá para isso!
Publicado por JJ às 09:20 AM | Comentários (1)
junho 17, 2005
OBJECTOS ESTRANHOS NÃO IDENTIFICADOS
Humm! Que estranho, tantos objectos dispostos em maneiras tão bizarras. Que tipo de sinais são estes? Quem terá andado por aqui? Um carrinho dentro da máquina de lavar roupa, um livro e dois bonecos no interior do cesto da roupa, três talheres geometricamente dispostos em cima da tábua de passar a ferro, o telecomando desaparecido, a máquina de calcular no baú nos brinquedos, uma caixa de sapatos com pedrinhas e folhas secas… Será um extra-terrestre? Uma força poderosa vinda da quinta dimensão? O que é que acham? Temos de tomar medidas extremas!
Publicado por JJ às 04:08 PM | Comentários (0)
junho 16, 2005
UM SOPRO VAZIO
A notícia transtornou-nos: o pediatra auscultou um sopro no coração. É preciso fazer uma ecografia. Hoje finalmente soubemos que estava tudo bem. O sopro que se ouvia não estava lá. O coração do bebé está bem e o nosso deixou de apertar. Um sopro vazio passou por nós e não trouxe consigo nenhuma tempestade. Ficámos felizes por tudo continuar normal, como dantes.
Publicado por JJ às 09:48 PM | Comentários (1)
junho 14, 2005
CABELO AO VENTO
Agora descobriu a sensação de ir com o cabelo ao vento na janela do carro. Abre o vidro de trás e põe a cabeça de fora virada para cima. Fecha os olhos e adora sentir toda aquela ventania na face. Quando o carro pára no sinal ou na intermitência do trânsito vai-me descrevendo o que vê lá por cima. Como se estivesse a descobrir outra dimensão do mundo que é encoberta pelas paredes altas da cidade. «Olha, tantos pássaros!». «Ena pai, a lua já está ali em cima! De dia?». «Se calhar, filho, ela hoje acordou mais cedo e veio fazer companhia ao sol».
Publicado por JJ às 10:19 PM | Comentários (2)
junho 13, 2005
ATÉ SEMPRE
Morreram-nos Homens de excepção. São dias tristes deste país que aos poucos perde a sua aura.
Publicado por JJ às 08:52 AM | Comentários (1)
junho 11, 2005
É A VIDA PÁ!
Finalmente voltou uma brisa mais fresca que nos alivia a disposição. Adoro o Verão, mas o calor vindo antes de tempo irrita-nos a pele e a paciência. As crianças transpiram permanentemente e dormem menos, logo, nós dormimos menos. É a parte pior desta coisa de sermos pais: a falta de dormir. O sono passa a ser o nosso companheiro diário. Torna-se no confidente mais próximo com o qual comungamos todas as experiências do dia. Os olhos bocejam quase continuamente e desejamos fecha-los nem que seja por uns breves instantes. Levamos o dia a tentar enganar as horas que levamos em falta nas noites. Como referi num post que escrevi há uns tempos: é a vida! O que é que querias, são os ossos do ofício. Mas, às vezes, esta vida custa um bocado.
Publicado por JJ às 04:29 PM | Comentários (1)
junho 10, 2005
Dia de quê?
Hoje é dia de Portugal: o que é que há para comemorar?
Publicado por JJ às 09:00 AM | Comentários (1)
junho 09, 2005
HÁ DIAS ASSIM
Com o calor a apertar ansiamos cada vez mais sair da cidade quente e ir de férias. É óptima a sensação de sair, mesmo que não se vá para muito longe, e selar a porta de casa durante duas ou três semanas. Mas ainda falta algum tempo e, com esforço, vamos tentando respirar alguma brisa por entre os trajectos do dia. O cansaço acumulado de um ano pesa-me as ideias e vou ficando sem alma para escrever o quer que seja, como é exemplo sintomático o presente post. É melhor acabar por aqui e regressar amanhã acompanhado por uma brisa mais refrescante, porque hoje estou a sufocar.
Publicado por JJ às 11:05 AM | Comentários (1)
junho 08, 2005
FARTO DO MUNDO
Ando farto do mundo, deixei de ter paciência para os jornais e os telejornais são óptimos para nos embalar o sono. Não há como ligar à noite a Sic Notícias e adormecer ao som dos disparates do Luís Delgado ou de outro comentador qualquer. As notícias já são suficientemente cinzentas e desinteressantes, mas com os comentários a realidade mediática ainda se torna mais aberrante. Não quero fazer parte do mundo que esses gajos nos vêm contar todas as noites. Prefiro ressonar em cima da sua estupidez. É a minha vingança pessoal. Calem-se!
Publicado por JJ às 11:11 AM | Comentários (2)
junho 07, 2005
AMOR CRIANÇA
Desde que nasceu o irmão tem andado tão carinhoso e amoroso que nos toca a alma. Quer dar beijinhos, faz-lhe festinhas, diz-lhe miminhos, até lhe canta cantigas para adormecer. Não há dúvida o amor é o primeiro sentimento humano, aquele que está à flor da pele. Porque é que será que com o decorrer dos anos este se torna cada vez mais adormecido? Haverá alguma correlação entre o aumento da idade e a perda do amor verdadeiro? O amor é criança! Porque raio levamos o resto da vida a dar cabo disso?
Publicado por JJ às 10:16 PM | Comentários (2)
junho 05, 2005
A NATUREZA NÃO SE LEMBROU DISSO
- Olha filho, espera aí que eu não posso fazer tudo ao mesmo tempo.
- Porque é que tu não és um polvo! Assim tinhas oito braços e já podias fazer.
Publicado por JJ às 02:34 PM | Comentários (1)
junho 04, 2005
A PRAIA
Hoje inaugurámos a época balnear, fomos à praia. Retirámos dos confins do armário os fatos de banho e as toalhas que já ansiavam respirar o ar marítimo, e rumámos para a confusão. De facto, este país ganha outra cor e alegria com a chegada do Verão. Tornamo-nos mais desinibidos e despreocupados. Nota-se isso no modo com as pessoas se despem e exibem sem grande pudor os refegos acumulados no Inverno. Nestes primeiros tempos de calor a praia torna-se um lugar muito peculiar onde uma massa de corpos pálidos se mistura numa festa de alaridos, cheiros e olhares. O povo parecia eufórico e não tinha pejo em exibir a sua excitação. Principalmente as crianças que estavam num delírio absoluto. O pequenote não parou de correr, acompanhando o balançar das pequenas ondas entre o mar e a areia. Parecia um autêntico pêndulo: para cima e para baixo, para cima e para baixo… Até fiquei tonto só por assistir à correria. É nestas alturas que eu adoro o meu país. Não há dúvida, o sol é a nossa alma!
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junho 02, 2005
OLHO-TE
Olho-te nos olhos que já querem desvendar o pequeno mundo que te rodeia. A cabecinha bamboleia à procura da luz que erradia da janela. É o sol que te quer consolar e te faz reluzir essas bochechinhas irresistíveis. Tantos beijinhos, tantos miminhos. Ops… finalmente o arroto. Viva! Já podes adormecer tranquilamente. Estás lindo, apesar de seres parecido com o pai (não podemos dizer isto à mãe). É impressionante como cresceste tanto num mês.
Publicado por JJ às 01:47 PM | Comentários (3)
junho 01, 2005
AS CRIANÇAS
Não são a única coisa que temos na vida, mas são as melhores coisas da nossa vida. Começam a ser um bem raro numa sociedade cada vez mais envelhecida como é o caso da portuguesa. Por isso, é urgente investir em políticas concretas de apoio à natalidade e à educação. É preciso ser inovador no modo como se encara a família. Até agora os nossos governantes têm recorrido às famílias como se estas fossem um saco que serve para se ir esvaziando à medida que as dificuldades apertam. As famílias têm sido o saco azul da incompetência dos políticos. Chegou a hora de dizer basta! É hora de começar a exigir que se invista a sério nas crianças, através de uma política pró-activa que não seja pedante e meramente assistencialista como tem sido até aqui.
Publicado por JJ às 11:24 AM | Comentários (1)
maio 31, 2005
A SIMPLICIDADE DAS COISAS
Hoje tivemos oportunidade de saborear o sol, a brisa do rio Tejo, uma esplanada, uma taça de vinho branco fresco, o desejo ardente de férias, o mar que nos espera… Coisas simples que nos fazem retornar ao sentido da vida. Aquela simplicidade que as nossas crianças nos contam todos os dias e que às vezes esquecemos ou nos distraímos de ouvir. Amanhã é dia Mundial da Criança, é mais um dia que nos serve de pretexto para comemorar a simplicidade da vida que muitas vezes teimamos em complicar.
Publicado por JJ às 05:29 PM | Comentários (1)
maio 30, 2005
A CULPA É DO ANTÓNIO VARIAÇÕES
O puto parece que tem resposta para tudo. Já não conseguimos dar-lhe a volta com facilidade. Até recorre a algumas frases das músicas que ouve no rádio do carro e que lhe ficam no ouvido. Numa destas manhãs durante a ida para a escola, estava-me a zangar por não se ter despachado a horas e que, por isso, íamos chegar atrasados… Ao que ele respondeu: «Pai, a culpa não é minha. A culpa é da vontade!». É o que faz ouvir muitas vezes o CD dos Humanos.
Publicado por JJ às 06:23 PM | Comentários (0)
maio 29, 2005
ONDE É QUE ELE ESTÁ?
- Ó filho o que é que estás a fazer aí atrás das árvores?
Estava a comer flores com um ar desconsolado.
- Brraaaa… Mãe, porque é que as flores não sabem a mel?
- São as abelhas que fazem o mel a partir do pólen. As flores não sabem lá muito bem.
- Mas o pólen devia saber a mel, porque as abelhas comem das flores.
Publicado por JJ às 07:36 PM | Comentários (2)
maio 28, 2005
A PORTA TEIMA EM FECHAR-SE
Criar uma família é um desafio supremo. Uma aventura muito intensa que nos põe constantemente à prova. E, por isso, também é um risco. O risco de não dar certo e de correr mal. Quer queiramos, quer não, os filhos abafam sempre a relação. Muitas acabam porque não resistem ao embate da maternidade e da paternidade. De facto, na espuma dos dias a relação torna-se, por vezes, secundária e perde-se no meio das rotinas quotidianas. De tal modo que nos distraímos dela: sabemos que está lá mas não lhe damos a devida atenção. De vez em quando ela bate à porta, parece querer despertar da letargia diária. Ficamos um pouco sem saber o que fazer. Se hesitamos durante breves segundos, a porta que parecia abrir-se para os dois volta a fechar-se e a esconder-se no silêncio de cada um.
Publicado por JJ às 09:49 PM | Comentários (2)
maio 27, 2005
APENAS UM GESTO
Um gesto pode deitar tudo a perder.
Ontem perdi-me!
Pode ser que hoje volte a encontrar os gestos que fazem ganhar aquilo que não desejo perder.
Publicado por JJ às 03:19 PM | Comentários (1)
maio 26, 2005
Canção de Embalar (José Afonso)
Dorme meu menino a estrela d’alva
Já a procurei e não a vi
Se ela não vier de madrugada
Outra que eu souber será pra ti
Outra que eu souber na noite escura
Sobre o teu sorriso de encantar
Ouvirás cantando nas alturas
Trovas e cantigas de embalar
Trovas e cantigas muito belas
Afina a garganta meu cantor
Quando a luz se apaga nas janelas
Perde a estrela d'alva o seu fulgor
Perde a estrela d'alva pequenina
Se outra não vier para a render
Dorme quinda à noite é muito menina
Deixa-a vir também adormecer
Publicado por JJ às 11:43 AM | Comentários (1)
maio 25, 2005
PORRA!
Não é este o espaço para falar de questões políticas, mas hoje não resisto comentar o anúncio do nosso PM em aumentar os impostos indirectos, como forma de combater o irresolúvel aumento do deficit orçamental. Mais uma vez verificamos que, independentemente da cor política que esteja no governo, o caminho que se toma para tentar solucionar os velhos problemas é sempre o mesmo. Isto é, opta-se por atingir o alvo mais fácil: as famílias e, dentro destas, os jovens casais que têm crianças a cargo. As famílias jovens são, em média, as que mais consomem porque não têm outro remédio: têm de alimentar, vestir e educar os seus filhos, para além de todas as outras necessidades. Dentro das suas possibilidades tentam encontrar a melhor escola possível que normalmente é cara; tentam que os seus filhos calcem os sapatos mais resistentes e mais confortáveis que, por mero acaso, são os mais caros; tentam que os filhos comam alimentos saudáveis que, coincidência das coincidências, são os que custam mais… Serão isto luxos! Querem que voltemos às fraldas de pano?!? Estou farto de incompetentes que procuram sempre as vias mais fáceis para enfrentar as dificuldades governativas. Continuem assim e hipotequem de vez o futuro deste país!
Publicado por JJ às 03:03 PM | Comentários (4)
maio 24, 2005
AI AS MULHERES, AS MULHERES…
Conversa matinal no carro:
- Ó pai, tu já casaste?
- Com a mãe?
- Sim.
- Já filho, antes de tu nasceres.
- Quando eu for adulto também vou casar com a M (que é a sua princesa lá da escola).
- E ela sabe disso?
- Digo muitas vezes. Mas ela é surda, não ouve.
- Se calhar faz que não ouve. Tens de dizer com mais carinho e com mais calma. Não podes dizer tantas vezes seguidas senão ela não ouve mesmo.
- Ai é.
Publicado por JJ às 02:15 PM | Comentários (1)
maio 23, 2005
O CACHECOL DO GLORIOSO
Hoje teimou que queria levar um cachecol do glorioso para a escola. Entramos na primeira loja chinesa que vimos e acabámos por comprar um dos últimos do stock que já tresandava a mofo. O preço estava naturalmente inflacionado mas acabei por comprá-lo. Pu-lo ao seu pescoço e ficou todo vaidoso. Cantava: ECHE ÉLE BÊ, ECHE ÉLE BÊ. Lá entrou todo emproado na escola. Tinha realizado o seu desejo. E o pai ficou todo orgulhoso. O futebol torna-se bonito quando produz este tipo de cumplicidades entre gerações e se transforma numa enorme festa.
Publicado por JJ às 08:24 PM | Comentários (1)
maio 22, 2005
BBEEENNNNFFFFFIIIIIICCCCCAAAAAA!!!!!!
Publicado por JJ às 09:59 PM | Comentários (0)
O REGAÇO
O regaço da mãe não é o mero amparo que acalma o choro insistente. O regaço da mãe é um Mundo belo. É a mais simples das utopias que todos os dias se cumpre.
Publicado por JJ às 09:48 AM | Comentários (0)
maio 21, 2005
A PSICOLOGIA DO MAU CHEIRO
Até aos três, quatro anos de idade a nossa vida é determinada em grande medida pela luta que levamos com o cocó: uma luta que ninguém pode travar por nós. Durante os primeiros meses o confronto inicial com o mundo é vivido entre a retenção dolorosa de gases e a libertação dos apaziguadores peidotes. É o nosso primeiro desafio! Vencidos os gases o cocó vai assumindo a sua identidade: de matéria incolor e híbrida torna-se acastanhada e ganha cheiro. Mas é com o largar da mama que se dá a sua grande emancipação. Expele-se uma imensidão de feitios, cores e odores que transcendem a criação do mais irreverente pintor ou escultor. Leva algum tempo até conseguirmos controlar e dominar tal força. A fralda é o nosso escudo e sem ela não somos ninguém. Por isso, tornamo-nos escravos das dodots: durante este período consumimos às centenas. Tememos o bacio e a sanita, fugimos destes objectos como o diabo da cruz. E andamos nisto anos, até que a partir de certa altura começamos a sentir vergonha que os outros se incomodem com o nosso mau cheiro. É primeiro passo da nossa personalidade. E mais tarde ou mais cedo libertamo-nos por completo. É claro que ao longo da vida voltaremos a ter momentos de confronto bem desagradáveis com esta substância. Mas já não será a mesma coisa.
Publicado por JJ às 06:27 PM | Comentários (0)
maio 20, 2005
É UMA FESTA!
As manhãs são sempre vividas com grande alarido e, sobretudo, com muita porcaria: os insuportáveis gases, os esperados arrotos, o inevitável cocó, e o inesperado chichi do bebé; a insistente expectoração, os “punzitos” que se vão largando, e o sempre bem-vindo cocó na fralda ou na sanita por parte do mais crescido. É uma festa de ruidozinhos e, sobretudo, de muitos odores. E não há caixote do lixo que resista, nem nariz!
Publicado por JJ às 12:57 PM | Comentários (0)
maio 19, 2005
VEGETAIS MAS FELIZES
Os dias que se seguem ao nascimento são um tanto ambivalentes, por um lado, estamos felizes por tudo ter corrido e estar a correr bem com o bebé mas, por outro, entramos num estado vegetal quase contínuo. As noites são dormidas aos bocados e os dias são vividos aos bocejos. É claro que isto complica um pouco com dois rebentos. Quando de madrugada se consegue acalmar o bebé no aconchego dos lençóis - depois de uma revigorante mamada, seguida de um não menos poderoso chichi, acompanhado pela expulsão dos insistentes gases - já está quase na hora do outro acordar e cair-nos nos lençóis cheio de energia. Enfim, ossos do ofício! Vamos reagindo às várias investidas e tentamos fazer o melhor que podemos. Nem sempre conseguimos, é certo. Mas é preciso não esquecer uma coisa: não somos super-heróis, somos reais e temos direito a ter alguns defeitos. Não é?
Publicado por JJ às 04:50 PM | Comentários (1)
maio 17, 2005
PESADELO VERDE
Acordou cedo em sobressalto. Tinha tido um pesadelo que envolvia a amiga da escola, a sua princesa.
- Sonhei que a M. caía na sanita. Ela não conseguia sair.
- E depois o que aconteceu?
- Eu falava com ela.
- Ela estava aflita?
- Não, estava a gostar de estar lá. Só que estava a ficar verde como o Sporting.
- Ah!! Verde!! Então o que é que fizeste?
- Fui ter com ela.
Publicado por JJ às 12:34 PM | Comentários (1)
maio 16, 2005
FOI ASSIM
As contracções mais regulares começaram às onze da noite. Era sinal que o rebento já queria nascer. Vestimo-nos calmamente e rumámos para a MAC. Afinal era falso alarme: o CTG declarava que ainda não havia dilatação. Regressámos a casa, mas as contracções não pararam de aumentar de intensidade. A meio da manhã resolvemos voltar à Maternidade. Apanhamos um trânsito horrível devido às famigeradas obras do Tunel do Marquês. Como mandam as regras accionei os quatro piscas e toca a apitar. O trânsito parecia inamovível e impenetrável. Mais facilmente se rompiam as águas do que aquela massa imensa de veículos e de condutores esbaforidos. De repente deu-se um milagre. Vindo dos céus, não com asas mas em cima de uma mota, um anjo vestido de Polícia Municipal acercou-se do nosso carro e guiou-nos a toda a “bisga” por entre os escombros do Marquês. Num ápice a comitiva chegou à MAC. Nunca mais me hei-de esquecer deste polícia, pai de uma criança de oito meses, e que tinha um sorriso
indescritível. Mais uma vez o CTG teimava em contradizer a sensação da mãe. A conselho do enfermeiro demos umas voltinhas a pé. Entre meia dúzia de passos lá vinha a contracção. De respiração controlada mantinhas uma serenidade espantosa. Não sei onde foste buscar tanta força. Andámos, andaste até não poder mais. Voltámos outra vez à MAC e à terceira foi de vez. Já não deu tempo para nada e o parto foi o mais natural possível. Na verdade, ainda deu tempo para te ver feliz a fazeres vida.
Publicado por JJ às 05:27 PM | Comentários (2)
maio 15, 2005
COISAS DE IRMÃOS
O aparecimento do mano é vivido entre um misto de extremo carinho e de algum ciúme, o que é perfeitamente natural nestes primeiros tempos. Quando o bebé chora é o primeiro a correr para o berço. Vê-se que anda preocupado e agora tornou-se mais difícil leva-lo para o seu quarto para dormir. Durante a noite acorda com os chorinhos do irmão e em plena madrugada vem a correr para o nosso quarto. Só quando tudo acalma é que conseguimos convencê-lo a voltar para a cama… Às vezes regressa novamente. Mas no meio disto tudo há algo que o atrai sobremaneira: a mama. Ver a mãe a dar de mamar ao mano é um espectáculo que nunca quer perder. Até já perguntou à mãe se também podia tomar o leitinho da maminha. Como consolação pede mais leite no biberão e bebe em simultâneo (leite de pacote, é claro).
Publicado por JJ às 02:02 PM | Comentários (0)
maio 13, 2005
Lavagem de rosto
Uma pequena mudança de imagem para comemorar uma semana de vida.
Publicado por JJ às 05:48 PM | Comentários (1)
BEBÉ
O levantar dos olhinhos enevoados a quererem despertar para a vida. O destrinçar dos dedinhos ainda meio enleados. O espreguiçar dos bracinhos e das perninhas. O constante abrir da boquinha que procura maminha por todo o lado. Os grunhidinhos de prazer e de alívio. Um amor imenso que só apetece encher de beijinhos.
Publicado por JJ às 04:34 PM | Comentários (0)
maio 12, 2005
APRENDER A SER PAI
Quatro anos depois retomamos os mesmos gestos e as mesmas rotinas. Só que agora estas saem com mais calma e mais naturalmente. Não caímos em inseguranças ou em crises de angustia como na altura do primeiro filho em que tudo era novidade. De facto, estou cada vez mais convencido que só a partir do segundo filho conseguimos estar verdadeiramente à altura das exigências. Isto porque fomos aprendendo com as circunstâncias e acumulando experiência. Não me venham cá com balelas e teorias sobre instintos ou intuições. Não se é pai (ou mãe) por obra e graça de qualquer divindade ou mistério da natureza. É-se pai porque se aprende a ser pai.
Publicado por JJ às 10:27 PM | Comentários (1)
maio 09, 2005
A VIDA É BELA
É muito difícil transmitir por palavras escritas aquilo que se sente com o nascimento de um bebé. Quando vemos pela primeira vez a sua cabecinha a irromper das entranhas da mãe somos assaltados por um turbilhão de emoções. Ficamos espantados pela simplicidade da vida. É essa simplicidade que a torna tão misteriosa e tão realmente bela. Temos uma vontade imensa de chorar de alegria e de anunciar a todo o mundo quão é simples e belo! Ao sair da mãe ele entrou em mim para sempre. Já não vai sair de mim. Pertence-me porque eu lhe pertenço. É vida que gerou vida e gerou amor, porque também foi gerada por amor. É o ciclo perfeito e inquebrável. É o que fica quando tudo o resto deixou de ter importância… Somos eu e ele. Somo nós, nós todos!
Publicado por JJ às 10:22 PM | Comentários (2)
maio 05, 2005
JÁ NASCEU!
Publicado por JJ às 10:26 PM | Comentários (2)
maio 04, 2005
A CARTA MÁGICA
Passa horas a falar e a inventar diálogos. Hoje pegou num numa daquelas cartas das Finanças e começou a ler: «estão a ver este papel é uma carta mágica». Depois começou num rol de enredos que nunca mais acabavam. Convocou os amigos da escola, as personagens dos livros e dos filmes, e outras figuras que inventou no momento. Muitas delas têm uma posição ambígua perante o bem e o mal: «eu sou o capitão dos monstros maus e vamos atrás dos ladrões»! Só uma criança se lembraria de fazer despontar personagens más que vão atrás de ladrões a partir de um pedaço de papel das Finanças.
Moral da história: mesmo que se inventasse uma carta mágica os maus ganhariam sempre na fuga ao fisco.
Publicado por JJ às 10:41 PM | Comentários (0)
maio 03, 2005
COCÓ NA SANITA
Finalmente começou a esforçar-se para deixar a fralda. Utilizámos a mesma estratégia para a chucha. Aliciámos com um objecto apetecido: «se começares a fazer cocó na sanita compramos-te o DVD dos Incríveis». Lá matutou no assunto durante algum tempo e de um dia para o outro lembrou-se que queria fazer cocó na sanita. Foi um acontecimento de arromba! A família que por acaso estava reunida para almoçar teve de levantar-se. Todos foram ver o cilindro castanho a boiar na água. Ficou feliz da vida, e com um ar triunfante puxou o autoclismo como se erguesse uma taça. Desde aí a senda do cocó anda intermitente: ora faz na fralda quando se levanta de manhã, ora se senta na sanita. Mas quando faz na WC temos sempre de fazer uma festa:
- JJááá fiiizzz cocóóó! Venham ver, hoje fiz gémeos.
Publicado por JJ às 08:20 PM | Comentários (1)
maio 01, 2005
DIA DA MÃE E DIA DO TRABALHADOR
Neste Domingo comemora-se simultaneamente o dia do trabalhador e o dia da mãe. Apesar desta dupla efeméride ser um pouco estranha não deixa de fazer algum sentido, na medida em que um dos grandes dramas para mães que trabalham fora de casa ser precisamente a conciliação com a maternidade. Seria interessante ver os sindicatos reivindicarem hoje uma política de família que contribuísse, entre outras coisas, para um verdadeiro alargamento da licença de maternidade e de amamentação. Mas não me parece que isso vá acontecer. Infelizmente os sindicatos são organizações empedernidas e muito pouco sensíveis aos problemas das famílias contemporâneas.
Um grande beijinho a todas mães do mundo e sobretudo àquelas que trabalham!
Publicado por JJ às 11:35 AM | Comentários (1)
abril 30, 2005
A SEMENTE E O PIPI
- Ó mãe! Foi o pai que pôs a semente na tua barriga?
- Sim, foi da semente que o mano cresceu.
- Eu também nasci da semente?
- Sim filho, todos os animaizinhos e plantinhas nascem das sementes.
- E como é que ela entrou na tua barriga, comeste?
- Não…
- Foi pelo umbigo?
- Não filho, foi pelo pipi.
- Pelo pipi?!? Mas como?
Publicado por JJ às 10:23 AM | Comentários (0)
abril 29, 2005
A LUA NOVA
Afinal foi falso alarme. Está visto que o rapaz quer nascer no mês de Maio. Estará à espera da lua nova?
Publicado por JJ às 07:31 PM | Comentários (0)
abril 28, 2005
ESTÁ QUASE
Está mesmo quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, quase, mesmo quase... a NASCER.
Publicado por JJ às 02:56 PM | Comentários (1)
abril 27, 2005
O VELHO CÃO
Chamávamos-lhe “Joli” e era um cão vira latas que nos acompanhava nas brincadeiras. Tínhamos um respeito imenso por ele. Para nós não era um mero rafeiro. Era o nosso cão ancião. Víamo-lo como um mestre da sobrevivência, grande conhecedor dos segredos das ruas. De vez em quando aparecia com mais uma cicatriz ou uma ferida, mas nunca se ia abaixo. Como se o corpo fosse indiferente às maleitas de cada dia. Joli conhecia-nos a todos e nunca nos ladrava. Não havia dia em que não passasse pelo meio das nossas brincadeiras e correrias. Numas vezes seguia o seu caminho, noutras deitava-se e dormitava embalado pelos gritos e tropeções. Às vezes também entrava nos enredos como personagem de cenas imaginadas. Não era raro digladiarmo-nos por tê-lo do nosso lado e em certas alturas também o tratávamos mal, mas não se impacientava e calmamente saía de cena. Não admitíamos que outras pessoas o violentassem. Quem o fizesse tornava-se nosso inimigo para sempre. Doía-nos a alma ouvi-lo ganir. E também ouvi-lo ladrar ou zangar-se com outro cães. Entravamos logo no meio da “latinada” e expulsava-mos os cães vagabundos. Joli sempre pareceu velho, mas resistiu mais tempo à rua do que eu. Enquanto adolescente ainda me lembro de o ver rodeado por outro bando de crianças. O cão velho já morreu certamente, mas não o vi desaparecer. Fui eu que sumi do seu meio. Por isso permanece bem vivo no meu mundo de criança.
Publicado por JJ às 09:02 PM | Comentários (0)
abril 26, 2005
O AMOR É BELA
Quando íamos a sair do jardim-escola virou-se para uma colega, fez-lhe uma festinha e despediu-se assim:
- Adeus Bela!
Mais tarde perguntei-lhe:
- Filho, porque é que chamaste Bela àquela menina? O nome dela não é esse.
- Pai, não vês que ela é a Bela Adormecida e eu sou o Príncipe.
Publicado por JJ às 08:27 PM | Comentários (0)
abril 25, 2005
MEMÓRIAS DE ABRIL CRIANÇA (III)
A partir da segunda metade dos anos 80 as comemorações de Abril deixaram de se viver nos bairros e nas freguesias e tornavam-se cada vez mais institucionais. Já não brotavam cravos nas paredes e nas marquises do bairro. As festas estavam a ficar cinzentas e ritualizadas, contrastando com os dias coloridas dos anos que se seguiram à revolução.
Lembro-me particularmente de um dia 25 de Abril algures no meio da década de 80. Nesse dia já não se sentiam os sons e as cores na rua. Tornara-se um dia igual aos outros. Um feriado vivido em casa ou no deslumbramento dos primeiros centros comerciais. As festas decorriam nas cidades e o Tejo era uma barreira quase intransponível que tornava Lisboa muito distante para um adolescente da Margem Sul.
Recorri aos poucos discos que tinha em casa e que ouvia numa daquelas aparelhagens com gira-discos e gravador incorporado. Lembro-me particularmente de dois: o single da Grândola Vila Morena do José Afonso e um LP de Adriano Correia de Oliveira “Gente Daqui e de Agora”, que por se encontrar tão riscado em algumas faixas fazia saltar agulha. O fio das colunas da aparelhagem era comprido e chagava à janela que dava para o descampado. De repente o som dos discos do meu pai entoou por todo o quarteirão durante duas ou três horas.
Organizei uma transmissão radiofónica a partir dos poucos discos que tinha. Alguns sons de Abril saíam do altifalante da aparelhagem e espalhavam-se contra o betão do subúrbio. Senti que algumas pessoas que habitavam aquelas paredes poderiam estar a ouvir. Tentei levar aquilo a sério, tendo o cuidado de seleccionar as faixas adequadas, o que requeria alguma perícia pois tinha de acertar com a agulha no sítio certo. Ninguém reclamou do barulho e a música terminou ao entardecer. Naquele dia 25 de Abril fui eu que dei cor ao bairro com a minha emissão radiofónica.
Publicado por JJ às 09:31 AM | Comentários (1)
abril 24, 2005
MEMÓRIAS DE ABRIL CRIANÇA (II)
Entre os finais dos anos 70 até ao culminar da primeira metade da década seguinte a rua era o nosso espaço natural. Por detrás do meu quarteirão existia um descampado sem árvores. Esperávamos pelas quatro da tarde, altura em que a sombra desenhada pela silhueta dos prédios já era suficientemente extensa para podermos brincar. Neste pedaço de terra passávamos dias a jogar à bola e a comer o pó levantado pelas correrias.
Era uma ilha rodeada de prédios. Alguns ainda estavam em construção e serviam de castelos para a nossa imaginação. Imaginávamos enredos entre os “bons” e os “maus”. Entre polícias e ladrões ou entre índios e “coboys”. A maior parte das vezes os índios eram os maus. Mas o xerife era sempre o bom da fita. Nestes castelos montávamos acampamentos em diferentes divisões, brincávamos às escondidas dentro de um labirinto de paredes, subíamos escadas que nos levavam ao céu no terceiro andar. Corríamos, corríamos… e, às vezes, parávamos esbaforidos de cansaço. Durante estes momentos cruzavam-se odores e segredavam-se mistérios. Estabelecia-se assim uma constante troca entre iguais que nos ensinava a aprender o sabor da diferença. Nestes tempos vivíamos a liberdade dos dias por entre os escombros do bairro em construção.
Publicado por JJ às 08:11 AM | Comentários (0)
abril 23, 2005
MEMÓRIAS DE ABRIL CRIANÇA (I)
As primeiras memórias que tenho do dia 25 de Abril são cheias de cor. Recordo o colorido desses dias sempre solarengos. Pequenos pontinhos vermelhos brotavam por todos os poros do bairro. Pendiam dos vasos que enchiam as varandas e as marquises. Irrompiam das minúsculas hortinhas que polvilhavam as inúmeras ilhas de terra que iam resistindo à construção. Erguiam-se em cada lapela como se fossem troféus.
Logo de manhã recebíamos o cravo entre os muitos que se distribuíam na rua e cuidávamos dele até ao fim do dia. Lutávamos por ele, caso quisessem tira-lo ou se caísse no chão com a confusão das tropelias. Lembro-me dos eventos que eram organizados pela Junta de Freguesia: os torneios desportivos, as corridas e as medalhas.
Lembro-me sobretudo das tintas que usávamos para pintar, até à exaustão, cravos em canos de espingardas. Era uma promiscuidade de cores que se misturavam em cima de pranchas enormes assentes em cavaletes de madeira. Pintávamos tudo! Borrávamo-nos uns aos outros na troca das cores. Digladiávamos tonalidades entre o perímetro das várias folhas, fazendo com que os desenhos se prolongassem e não respeitassem as margens do papel. Através desta luta acabávamos por construir um puzzle que se reconstruía à medida que os desenhos eram retirados e substituídos por novas folhas em branco. E quando estas acabavam saíamos da prancha de madeira e invadíamos as paredes híbridas dos subúrbios da Margem Sul. Naquele dia o bairro era nosso. Éramos os putos de Abril!
Publicado por JJ às 10:25 AM | Comentários (2)
abril 22, 2005
E VIERAM TODOS SALVAR A MÃE
Pai, hoje sonhei com a mãe. Eu fui ao emprego dela. Estava lá um polícia mau. Eu matei o polícia. O polícia transformou-se num dragão. E eu tinha uma espada com fogo. Muito fogo. E prendi o dragão. Depois veio o Flecha dos supers e lançou fogo ao dragão. Depois veio o mau e transformou-se no dragão. E veio o Shrek e prendeu o dragão. E veio o Egas e o Noddy e laçaram fogo. E veio o avô, a avó, a tia o pai…
Publicado por JJ às 10:25 AM | Comentários (0)
abril 21, 2005
A IMENSIDÃO
Com o nascimento de um filho nasce em nós um amor grandioso, de tal modo, que sentimos um receio arrepiante de poder fraquejar. Em certas alturas sou assaltado por esta sensação que me atormenta o coração e me faz sentir ainda mais ínfimo perante tal imensidão.
Publicado por JJ às 11:24 AM | Comentários (1)
abril 20, 2005
QUATRO ANOS
Ainda ontem nasceste e já estás um homenzinho.
Parabéns, meu amor.
Publicado por JJ às 09:26 AM | Comentários (4)
abril 19, 2005
PAPA NOVO VELHINHO
- Pai, olha o Papa ali na televisão!
- É o novo Papa.
- Novo! Mas ele já é velhinho.
- Pois é, mas foi ele o escolhido.
- Ele já veio assim velhinho, não foi...
Publicado por JJ às 08:38 PM | Comentários (0)
FIGURAS TRISTES
As crianças são espontâneas e dadas a impulsos imediatos, mas são, ao mesmo tempo, obsessivamente ritualistas. Todos os dias de manhã quando saio do banho é ele que me tem de dar a toalha. Fica à espera que eu termine para no final cumprir o hábito. Hoje depois de tomar banho chamei-o, mas como estava a brincar no quarto não veio. Pensei que era uma boa oportunidade para quebrar a regra, talvez já não atribuísse importância ao costume. Saí do banho e fui-me vestindo. De repente entra de rompante no quarto e desata num berreiro. «Não esperaste que eu te desse a toalha. Volta para o banho». Por mais argumentos que utilizasse não conseguia acalmá-lo. Os minutos passavam e já começava a fazer-se tarde. Não tive alternativa e acabei por dizer-lhe: «pronto, vamos fazer de conta que acabei agora o banho». Entrei vestido na banheira, fechei a porta de vidro e esperei que do outro lado ele tornasse a abrir a porta e a dar-me a toalha. Calou-se imediatamente e eu fiz mais uma daquelas figuras tristes…
Publicado por JJ às 02:49 PM | Comentários (1)
abril 17, 2005
UMA QUESTÃO DE ESPERMATOZÓIDE
Desde que germinámos o nosso novo rebento somos normalmente assaltados pelas mesmas perguntas. A primeira:
- Estás grávida. Então vai ser menina?
- Não, é outro rapaz.
- Oh! Não vai ser um casalinho. Não faz mal, também é giro ter dois meninos.
Este tipo de observações dão implicitamente a entender que falhámos, sobretudo, o pai falhou. Não foi suficientemente habilidoso ou preciso no acto de concepção para gerar uma menina. Como se tivesse trocado as direcções da morada ou conduzido de marcha-atrás em vez de ter seguido em frente.
E então surge a segunda questão:
- Ah! Estão a pensar ir ao terceiro, para ver se sai menina?
-Não, já não estamos a pensar nisso.
Perante esta resposta laçam-se invariavelmente olhares fulminantes para o pai. Como quem diz, «tens medo de falhar outra vez, és um cobardolas».
É verdade, penitencio-me perante os leitores deste blogue: não fui capaz, não fui suficientemente HOMEM para gerar um casal. Não fui exigente para com os meus espermatozóides. Enfim, fui um desmazelado.
Agora fora de brincadeiras, este tipo de comentários convencem-me de que as pessoas estão ávidas para poder controlar os seus genes, de poder manipular para que tudo saia conforme o que é suposto. No fundo, trata-se de manipular para que a ordem "natural" das coisas aconteça: para que a seguir a um menino venha uma menina e que depois da menina outro menino. E, já agora, que o primeiro filho tenha os olhos do pai e a boca da mãe e a menina os olhos da mãe e a boca do pai…
Publicado por JJ às 10:12 AM | Comentários (1)
abril 16, 2005
DIAS DE SAPO
Isto de ser pai (ou mãe) traz-nos uma série de angústias acrescidas. Às vezes sentimos um peso por dentro que nos acompanha os dias e remói-nos os neurónios. Nesta sociedade maldita torna-se por vezes difícil a tarefa e a responsabilidade de criar e educar os nossos rebentos. Passamos os dias na labuta e damos tudo para que em casa possamos comungar alguma felicidade em estar próximo de quem nos é próximo. Mas certas “merdas” não nos largam e não param de tilintar na cabeça. Recorrentemente damos por nós a pensar nas “porras” que temos de aturar e que nos espezinham a cada passo. Dependemos de uma série de crápulas e de instituições cuja ambição principal parece ser a de lixar-nos a vida ou, pelo menos, contribuir para que ela seja ainda mais difícil. Mas porque temos filhos e queremos assegurar o melhor futuro possível, não nos resta alternativa e lá vamos engolindo alguns sapos (bem, nem sempre, às vezes também nos engasgamos). Se isto continuar assim, acabamos por nos transformar num desses animaizinhos viscosos. E como não vivemos num conto de fadas (muito pelo contrário), nenhum príncipe ou princesa nos virá salvar com um beijo (nem mesmo com um estalo).
Enfim, tudo isto não passa de uma revolta que nos mói e que traz um sabor amargo aos nossos dias: um sabor a sapo.
Publicado por JJ às 05:43 PM | Comentários (2)
abril 15, 2005
AS CORES NÃO SE DISCUTEM
- Filho, qual é a tua cor preferida?
- É o preto.
- O preto! Mas porquê?
- É uma cor alegre.
Publicado por JJ às 11:27 AM | Comentários (2)
abril 14, 2005
A MEMÓRIA E OS LIVROS
A leitura de uma história na cama antes de adormecer tornou-se um hábito insubstituível. Todas as noites o pai lê um livro e a seguir a mãe lê outro. Só depois consegue adormecer tranquilamente. Normalmente os livros vão sendo escolhidos em função da obsessão do momento: por vezes, são livros novos, outras vezes, lembra-se novamente daquele que já não lemos “há muito tempo”. Assim, durante noites a fio o mesmo livro é lido consecutivamente. De tal modo, que não só decora todo o enredo, como memoriza palavra a palavra. O cansaço do dia leva-nos, às vezes, a enganarmo-nos ou a talhar caminho e saltar algumas partes quando a história é um pouco grande, e logo ouvimos - “pai não é assim tens de dizer…”. E não é que diz mesmo: reproduz sílaba a sílaba o extracto que omitimos. De facto, à medida que caminhamos a passos largos para a esclerose (às vezes já nem me lembro o que fiz ontem), ficamos cada vez mais impressionados com a memória das crianças. Enfim, como diz o outro, é a vida…
Publicado por JJ às 05:04 PM | Comentários (0)
abril 13, 2005
ESTÁ QUASE
Já deu a volta. A cabecinha já aponta para o túnel que o trará à luz deste mundo. Ao mundo de cá. Sinto-o revirar-se na barriga da mãe. Às vezes parece que está impaciente, noutras alturas dá a entender que não quer trocar o seu mundo pelo nosso. Quem o pode levar a mal: é embalado por águas férteis e está protegido por uma fortaleza inabalável. Mas já não falta muito… Aguardemos e confiemos no discorrer natural do tempo.
Publicado por JJ às 04:02 PM | Comentários (1)
abril 12, 2005
A PEDRA
Conversa entre mãe e filho, enquanto brincavam na cama:
- Cuidado com a barriga da mãe, não dês pontapés porque o mano está lá dentro.
- Então quando estiver vazia já posso dar?
- Não filho, não se dão pontapés na mãe. Nem agora, nem depois do mano nascer.
- E se tiveres pedras na barriga?
- Oh! A mãe não tem pedras na barriga, tem o mano.
- O mano é uma pedra!?!
Publicado por JJ às 07:01 PM | Comentários (1)
TU
Estranhamente um post anterior, sobre esta tendência de pais e fihos se tratarem por "você", foi muito pouco comentado. Das duas uma, ou a maior parte das pessoas que passou por aqui concorda com a provocação, ou então é porque pertenço a uma minoria de pais que resiste e continua a utilizar a segunda pessoa no trato com os mais próximos. Se calhar tornou-se português arcaico.
Publicado por JJ às 01:00 PM | Comentários (6)
abril 11, 2005
MUITOS BEIJINHOS
Bom dia!
Não há coisa melhor no mundo do que sermos acordados por um pequeno sorriso radiante. Pegamos nele com muito carinho e enchemo-lo de beijinhos…
Publicado por JJ às 08:32 AM | Comentários (2)
abril 10, 2005
ONDE ESTÁ A AVÓ?
Um actor, um pano branco, muitos desenhos, música bonita e até temos direito a bolinhos no final. Uma ideia simples, cheia de imaginação, que consegue encantar as crianças (e também os pais). Pena só estar em cena quatro dias no CCB.
Publicado por JJ às 01:57 PM | Comentários (0)
abril 09, 2005
A MORTE NA TV
Ao longo destes últimos dias era inevitável a pergunta:
- O Papa morreu?
O assunto da morte tornou-se quase uma obsessão diária. A propósito desta ou daquela personalidade que aparecia na TV, lá vinha a questão “ele morreu?”. Se já é difícil falar da morte a uma criança, tudo se torna ainda mais confuso quando temos de explicar as imagens que surgem na TV. Personagens que já morreram aparecem vivas em imagens antigas ao lado de pessoas que ainda estão vivas. “Pai, olha, o Presidente da República. Ele já morreu?”. “Não filho, o Presidente da República ainda está vivo. Não vês que ele está a falar”. É claro que este argumento cai logo por terra: “Mas o Papa também está a falar”. Tentamos responder que se tratam de imagens antigas, mas é impossível uma criança entender isso. A morte torna-se assim uma coisa aleatória: aqueles que estão mortos podem estar vivos, os que estão vivos podem parecer mortos, e aqueles que na realidade nunca viveram e morreram podem sempre viver, morrer e renascer, como é o caso das personagens dos livros ou das séries de desenhos animados.
PS. Voltaremos ao assunto da morte em próximos posts.
Publicado por JJ às 10:51 AM | Comentários (1)
abril 08, 2005
O PRINCIPIANTE
Ainda agora comecei a dar os primeiros passos por estas andanças da "blogoesfera", e já fecharam uns tantos blogues. Espero que não vire moda!!
Publicado por JJ às 09:25 PM | Comentários (1)
abril 07, 2005
AS TIAS CONQUISTARAM O PAÍS
Na maior parte das situações tento ser uma pessoa tolerante. Mas há coisas que ultrapassam a nossa tolerância e nos irritam tremendamente. Uma dessas coisas virou praga e afecta, cada vez mais, os pais e as mães deste país. No início (finais da década de 80) circunscrevia-se à zona da Linha de Cascais e era uma imagem de marca das satirizadas “Tias”. Agora deixou de ser sátira e passou a ser uma prática generalizada que se ouve na maior parte dos espaços ao ar livre onde brincam crianças, como os jardins, as praias, etc. Refiro-me a um modo de falar que, para além que conter uma entoação irritante, utiliza sistematicamente a terceira pessoa do singular no diálogo com os outros, nomeadamente, com os filhos, tipo: “você venha cá”, “dê cá um beijinho”, “menino não faça isso”… Não suporto ouvir estas e outras expressões similares. A linguagem deve expressar o tipo de relacionamento que temos com as pessoas. Se as relações entre pais e filhos são por natureza próximas e afectivas, porquê envolve-las em formas verbais que denotam um maior formalismo e distanciamento. Tratar uma criança (filho, neto ou sobrinho) por “você” é um atentado às relações humanas e o reflexo de um “pseudo-novorriquismo” execrável.
Publicado por JJ às 01:58 PM | Comentários (2)
abril 06, 2005
A IMORTALIDADE
Conversa no carro, enquanto aponta para o cartaz da Festa da Música (que irá decorrer no CCB):
- Olha, quem é aquele?
- É o Beethoven, foi um compositor importante. Fez músicas muito bonitas.
- Ele já morreu?
- Sim, há muito tempo, mas as músicas ficaram e podemos ouvi-las em CD.
- E ele foi para o céu?
- Sim…
- E porque é que as músicas não foram para o céu!?!
Publicado por JJ às 03:44 PM | Comentários (4)
abril 05, 2005
"LA PASTA" IMPROVISADA
Final tarde, chegamos a casa. É hora de fazer o jantar. Que chatice! Não pusemos a carne a descongelar. E agora… Bem, não à crise, inventa-se qualquer coisa para cozinhar com a massa: alho francês, cogumelos, tomate e mais uns cheirinhos e temos uma "pasta" à italiana toda especial. Não há cozinha como a italiana para podermos improvisar à vontade. Sai quase sempre bem. Enfim… quase sempre.
Publicado por JJ às 10:08 PM | Comentários (0)
abril 04, 2005
O GIGANTE E A FORMIGA
Depois de argumentarmos e contra-argumentarmos, dizemos mais de 3 mil vezes não faças isso. Mas ele continua a fazer. Mostramos uma cara zangada, elevamos o tom da voz… E nada feito, continua a insistir em não fazer. Ameaçamos com medidas drásticas. E ele responde-nos com indiferença. Concretizamos as medidas. E ele não pára de berrar. De repente, sentimo-nos completamente desarmados e “despidos” perante uma criança de três anos. Nestas alturas tornamo-nos mais pequenos do que eles. Eles são os gigantes ameaçadores e nós as pequenas formigas à beira de sermos espezinhadas. Esta sensação de desespero leva-nos à quase loucura. É isso, ficámos loucos, não há nada a fazer o mundo já é deles. Fujam enquanto é tempo!!!
Publicado por JJ às 08:56 PM | Comentários (1)
abril 03, 2005
A POLÉMICA DOS BABYBLOGS
Tem-se gerado uma polémica sobre o uso exagerado de imagens de crianças nos denominados babyblogs. As bases desse debate assentam em duas questões. Até que ponto essas imagens podem ser apropriadas por gente perigosa? Será que existe legitimidade em expor as crianças dessa forma? De facto, considero que são questões interessantes para reflectir e ponderar sobre alguns exageros que, por vezes, se podem cometer. Mas não servem para muito mais. Pelo contrário, acho que este tipo de discussões acaba por se virar contra as intenções de quem as produziu. Na medida em que se tornam um chamatório em relação aos tais perigos que deambulam na internet. A histeria não só não leva a lado nenhum, como pode ser um contributo para estragar aquilo que os babyblogs têm de melhor: um certo romantismo e alguma inocência que já não estamos acostumados a ver. O romantismo e a inocência são por natureza expressões de exagero, ou se quisermos, expressões de amor. Num mundo em que todos os dias somos assaltados por imagens de crianças em situações desgraçadas e moribundas, faz-nos bem à vista e à alma partilhar imagens (visuais e escritas) de crianças que são amadas e transluzem vida.
Publicado por JJ às 10:46 AM | Comentários (6)
abril 02, 2005
NUM DIA CHUVOSO
Num dia de chuva como este que mais podemos fazer senão dedicarmo-nos a cozinhar e convidar a família ou os amigos... e conversar a tarde inteira.
Publicado por JJ às 02:11 PM | Comentários (1)
abril 01, 2005
A ANGUSTIA DO CHUPA NO ELÉCTRICO
Raramente lhe damos doces tipo gomas, chupa-chupas e rebuçados, mas não conseguimos evitar que outros lhe dêem. Hoje, enquanto estávamos a sair de um café perto de casa, a empregada ofereceu-lhe um chupa. Quando reparámos já vinha com ele na mão como se empunhasse um troféu. Não tivemos alternativa e agradecemos a simpatia. Escusado será dizer que a guloseima foi tratada como se fosse uma pedra preciosa: provou… depois quis guardar… depois da sesta voltou a provar… Cada chupadela era acompanhada de pequenos miminhos tipo: “huumm que delicioso, sabe a morango, é muito bom…” Á tarde fomos até ao parque de eléctrico e ele continuava neste regalo. Já pouco restava da guloseima. O eléctrico parou na paragem respectiva, levantamo-nos, passámos por entre as pessoas, saímos, e o eléctrico continuou o seu trajecto. De repente começa num pranto: O MEU CHUPA!!! O ELÉCTRICO LEVOU!!! VAMOS BUSCÁ-LO!!! Estava desesperado, o pauzinho tinha caído no chão do eléctrico. Nestas situações é difícil acalmar qualquer criança. Não podia comprar-lhe outro chupa, isso seria abrir um precedente irreversível. De repente, lembrei-me de pedir num café uma colher de plástico.
- Toma filho.
- Porque é que me estás a dar uma colher!?!
- Faz de conta que é um chupa.
Não ficou lá muito convencido. Mas foi o suficiente para se acalmar e descentrar as suas atenções para outra coisa.
Publicado por JJ às 09:10 PM | Comentários (1)
março 31, 2005
REINVENTAR A RUA
O excelente comentário da Patrícia a um post anterior leva-me a fazer algumas considerações sobre a perda de uma certa infância, onde as crianças brincavam na rua e na terra. Na verdade, actualmente parece que os suportes tecnológicos se tornaram os mediadores principais das brincadeiras, situação que provocou uma excessiva individualização ou, pelo menos, uma redução substancial no número habitual de parceiros. Fora do espaço do infantário já não é muito habitual ver grandes grupos de crianças a brincar. Em parte isto acontece porque actualmente existem menos crianças. Mas, também, porque tendem a brincar em casa ou, quanto muito, no espaço limitado do jardim público do bairro. Perdeu-se o hábito ir brincar para a rua tanto no meio rural como no urbano. Isto deve-se a um conjunto de factores que não interessa aqui especificar. Mas o que realmente nos surpreende é o facto de no espaço de uma geração se ter perdido esta prática de ir brincar para a rua e para o campo. De repente tornou-se memória. Cabe-nos reinventar essa memória e fazer com que os nossos filhos provem um pouco o sabor da terra e do pó. Depois de saboreá-la talvez não percam o gosto e queiram experimentar mais vezes deixando as consolas em casa.
Publicado por JJ às 03:48 PM | Comentários (3)
março 30, 2005
O PECADO CONSUMISTA
Vindos da província tivemos um desejo imenso de consumir e de nos embrenharmos na catedral do design para os pobres: o IKEA. Depois de um revigorante sossego rural nada melhor do que uma brisa de modernidade a soprar no nosso saldo bancário: entrámos logo em stress.
Publicado por JJ às 07:37 PM | Comentários (0)
março 29, 2005
O PEQUENO AGRICULTOR
É um regalo assistir às aventuras e aos espantos que ecoam de uma criança de cidade quando confrontada com os mistérios do campo: as formigas em carreiro, as alfaces que nascem do chão, as laranjas que teimam em não despegar da árvore… Mas, apesar de tudo, facilmente encarnam o papel de pequeno agricultor. Desde que está com os avós, durante este período de Páscoa, o neto não larga o sacho e persegue o avô em todos os gestos relacionados com a actividade agrícola. Ontem plantaram em conjunto duas árvores de fruto. Lá arrastou alguns torrões de terra com o sachinho. Estava num delírio e não parou de imitar o avô. Torcemos todos para que as árvores cresçam muito e se tornem fortes.
Publicado por JJ às 08:46 PM | Comentários (1)
março 28, 2005
TRIBUTO ÀS BISAVÓS
O nosso filho ainda tem a sorte de ter duas bisavós. São mulheres extraordinárias que viveram para criar os filhos, os netos e ainda dão o melhor de si para os bisnetos. Mulheres de força cuja vida lhes foi corroendo e enrugando o corpo. O tempo entortou-lhe as mãos e os dedos, mas, apesar disso ainda conseguem ter uma destreza espantosa: tudo lhes sai das mãos com sabedoria e naturalidade. São mulheres que viveram grande parte da vida amordaçadas pelos maridos e, antes, pelos pais. São mulheres que depois da chegada da liberdade já não se conseguiram libertar. São artífices do silêncio que construíram mundos e esperanças no íntimo segredo. A elas devemos muito… a estas mulheres de silêncio forte.
Publicado por JJ às 03:00 PM | Comentários (0)
março 27, 2005
FAZER PÃO
Neste nosso mundo moderno vivemos um excesso de movimento e de efemeridade que nos vai apagando da memória a história e a vida de outros tempos. Por isso, não deixa de ser reconfortante assistir à transmissão de saberes e de experiências entre gerações. Nestes dias o nosso rebento aprendeu que o pão se faz a partir da farinha e que esta tem de ser amassada. Depois espera-se que levede e cresça até ficar com a consistência própria para ir para o fono, que já foi previamente aquecido com a lenha que o avô cortou. Todos os gestos e dizeres dos avós são acompanhados pelos olhos sempre curiosos do neto: porquê isto, como se faz aquilo... Pacientemente lhe vão dizendo que se faz assim, que se tem de esperar para que a farinha levede ou para que o pão coza:
- Avô, como se liga o forno. Ele liga-se sozinho?
- Tens de ter calma. É preciso esperar para ver a lenha acender e depois queimar até se tranformar em brasa...
Faz-nos uma certa falta esta calma da tradição. Seria bem diferente o nosso quotidiano se ela preenchesse um pouco mais a espuma dos dias que levamos na vida da cidade.
Publicado por JJ às 02:28 PM | Comentários (0)
... E DEPOIS OS FOLARES
A seguir bateram-se os folares acrescentando ovos, manteiga, canela e erva doce à massa. Depois encheram-se as formas com o recheio já no ponto. Para o fim alguns dedos rasparam o que restava no grande alguidar de barro. Escusado será dizer que todos os dedos do pequenote fugiam para dentro do alguidar a uma velocidade louca. Era ver a massa escorrer-lhe entre dedos, boca e queixo. Tive de exercer a minha autoridade paternal e levantar o grande alguidar de vez. Por último, deixámos o forno fazer o seu trabalho e aos poucos começámos a sentir o doce aroma dos folares. Estavam deliciosos!
Publicado por JJ às 02:18 PM | Comentários (1)
março 24, 2005
VOLTAR À TERRA
Tal como grande parte das famílias portuguesas rumámos para a terra dos avós para comemorar a Páscoa. De vez em quando sabe bem retornar às raízes. As memórias da infância reemergem agora com outra força, porque são reactualizadas pelos gestos e actos do pequenote. Revivemos as nossas próprias bincadeiras através do seu mundo. Por intermédio dele imaginamos a criança que já fomos. Enfim,também é sinal que vamos envelhecendo.
Publicado por JJ às 11:43 AM | Comentários (0)
março 23, 2005
OS VENCIDOS DO SONO
Assim que somos pais adquirimos uma espécie de síndrome que nos acompanha o dia inteiro: o síndroma do bocejo. É terrível, às vezes temos autênticos ataques compulsivos. De tal modo, que não conseguimos parar. É especialmente confrangedor durante uma conversa: por mais que tentemos a boca não pára de abrir. Em certas alturas até vamos às lágrimas, devido ao esforço que fazemos para que o interlocutor do momento não pense que estamos enfastiados. Mas, o pior momento de todos é aquela hora a seguir ao almoço. Aí batemos o recorde, apesar de combatermos a todo o custo o ataque fulminante: levantamo-nos da secretária, vamos à WC lavar a cara, tomamos mais um café… Não há nada a fazer, OS BOCEJOS NÃO NOS DEIXAM!
Chegada a noite, depois da criança deitada, sentamo-nos finalmente no sofá para ver as notícias do dia e um milagre acontece: paramos de bocejar. Mas, em contrapartida, somos invadidos por um enorme peso nos olhos. Tentamos abri-los, mas eles teimam em fechar e descem…descem até nos desarmarem por completo. Pouco depois das nove da noite já estamos a roncar no sofá completamente vencidos.
Publicado por JJ às 08:28 AM | Comentários (1)
março 22, 2005
SOMOS UM
Através do teu corpo vejo-o e sinto-o a movimentar-se de um lado para o outro, numas vezes parece que estica o bracinho, noutras, vemos emergir o recorte de um volume que imaginamos ser a sua cabecinha. É uma vidinha que vive em ti e que se expressa por ti. É por intermédio do teu corpo que participo da gestação desse ser que saiu de nós, mas que ainda está em ti. É amando o teu corpo que me sinto perto dele. É por amar o teu corpo que já me sinto pai dele.
Publicado por JJ às 04:14 PM | Comentários (0)
março 21, 2005
A FESTA DA PRIMAVERA
Decorreu neste último fim-de-semana a Festa da Primavera no CCB. Apesar da chuva, estava um ambiente muito florido e cheio de alegria. Foi uma autêntica festa da família, com pais e filhos, avós e netos, a pintar e a recortar em conjunto borboletas e mais borboletas. Houve muita música e alguns espectáculos na rua e nas salas, tudo de graça. É pena, mas deviam fazer-se mais festas destas, pelo menos, uma por cada estação do ano. Isto é que é serviço público! É com inciativas destas que verdadeiramente se promove a cultura.
Publicado por JJ às 12:40 PM | Comentários (3)
março 20, 2005
ENTÃO, NÃO ACORDAM!
Por se encontrarem ainda próximo do estado natural, as crianças transportam dentro de si autênticos relógios biológicos que tocam sempre à hora certa. Deixou de ser preciso acertar os relógios cá em casa. Por exemplo, os primeiros guinchos matinais, que se fazem ouvir no quarto ao lado, indicam logo as horas: são 7.00h (quanto muito 7.15h ou, para mal dos nossos pecados, 6.45h). Não há que enganar, independentemente de se deitar às 20.30h ou as 23.00h, a hora de acordar é sempre a mesma. Depois dos rugidinhos que emanam da espreguiçadeira habitual, vem a correr e salta-nos para a cama com uma energia que nos deixa ainda mais zonzos. A muito custo tentamos que sossegue e nos dê mais uns minutos, uns segundinhos de sono. É uma missão impossível:
- Então, não acordam! Estou todo cheio de fome…
Não há nada a fazer, o cronometro biológico continua a marcar as suas exigências e nós não temos outro remédio senão sair da cama e ir alimentá-lo (ou melhor, ir dar corda ao relógio).
Publicado por JJ às 09:00 AM | Comentários (2)
março 18, 2005
DIA DO PAI
Amanhã como é dia do Pai não irei escrever nenhum post. Não existe qualquer motivo especial para o não fazer… não me apetece e pronto! Também tenho direito aos meus caprichos. No entanto, não me coíbo de desejar um belo dia a todos os pais que dão o melhor de si.
Publicado por JJ às 12:40 PM | Comentários (0)
março 17, 2005
ACABARAM-SE AS ESTAÇÕES
Ainda na semana passada nos queixávamos do frio e já estamos com temperaturas de Verão. Parece que já não há estações. Digam-me, com é que conseguimos explicar às crianças qual é a diferença entre esta Primavera cheia de Sol e este Inverno que não teve chuva!?! Como podemos dizer que em Março faz mais frio do que em Agosto, quando temos temperaturas semelhantes!?! Torna-se tudo uma grande confusão:
-Ó pai, a Primavera já começou?
- Está quase. Ela vem devagarinho, o tempo começa a aquecer, as flores a nascer…
- E o Verão?
- Ahh! Para o Verão ainda faltam muitos meses. Os dias vão cada vez ficando mais quentes. E depois vestimos camisolas de manga curta...
- E sandálias...
- E vamos à praia.
Enquanto esta conversa surreal decorria, dizia o locutor da rádio: hoje autêntico dia de Verão, temperatura máxima 29 graus.
Publicado por JJ às 05:02 PM | Comentários (0)
março 16, 2005
O RUGIDO MATINAL
Não deixa de ser curioso verificarmos que desde de pequeninos já se notam diferenças importantes entre o modo de ser masculino e o feminino. Observando as relações que se geram no infantário, pode dizer-se que quase naturalmente eles dão-se mais com eles e elas com elas, sem existir qualquer acção exterior que induza a essa separação. Consequentemente, a forma de relacionarem-se e de brincarem entre si é muito diferente: eles saltam, gritam, correm de um lado para o outro; elas recolhem-se em pequenos grupos e falam mais baixinho. Não quero generalizar, mas não há grandes dúvidas de que as relações entre eles tendem a ser mais físicas, ao passo que entre elas são, pelo menos, mais discursivas. Aliás, não deixa de ser sintomático a forma como se cumprimentam: elas dizem bom dia, muitas vezes acompanhado por um beijinho; eles basicamente rugem sempre que cumprimentam um comparsa. Logo de manhã, assim que entramos na escola, a primeira coisa que oiço é: URRAUUUU!!!
Publicado por JJ às 05:20 PM | Comentários (0)
março 15, 2005
1 MÊS DE BLOGUE
O Diário da Paternidade já tem um mês. Devo dizer que durante este período fiquei viciado nesta nova forma de comunicar. Consegui escrever um post por dia sobre os mais variados assuntos relacionados com a paternidade. Cada post obrigou-me a fazer uma releitura do dia anterior e eleger um momento particular, como se tirasse uma fotografia ao tempo. Ao revisitar cada uma dessas imagens registadas em texto, aquilo que mais me impressiona é capacidade criativa que desponta de uma criança de 3 anos. Este blogue é acima de tudo um tributo a essa imaginação que nos deixa estarrecidos, como se estivéssemos a apreciar uma obra de arte.
Publicado por JJ às 10:58 PM | Comentários (0)
março 14, 2005
O MISTÉRIO DA BARRIGA QUE CRESCE
É sempre complicado para uma criança assistir à gestação de um mano(ou mana). O crescimento da barriga da mãe traz inúmeras questões e dúvidas que se tornam difíceis de responder. São questões que demonstram curiosidade, mas também ansiedade. O mano, que aí vem, representa um mistério que propicia a imaginação e, ao mesmo tempo, uma inquietação em relação a alguém que vem dividir parte do seu monopólio. O diálogo entre mãe e filho que a seguir transcrevo é ilustrativo desta dualidade irresolúvel:
- Ó Mãe, o mano nunca mais sai da tua barriga?
- Já não falta muito tempo, temos de ter paciência.
- Eu posso ir para dentro da tua barriga ter com o mano?
- Mas porque é que queres ir para dentro da barriga da mãe?
- … Tenho saudades do mano.
Publicado por JJ às 04:42 PM | Comentários (0)
março 13, 2005
A PRIMAVERA
Finalmente, parece que o frio se está a ir embora. Está a chegar a Primavera! Já se cheira um ar doce. Hoje enquanto recolhia a roupa a mãe perguntou ao filho:
- Olha, queres vir assomar-te à janela para cheirar a Primavera que está a chegar?
- Sim, deixa-me cheirar. Humm! Cheira a flores…
- Então, gostas mais do Inverno ou da Primavera?
- Da Primavera.
- Mas o Inverno também tem coisas boas, não tem filho?
- Sim, a Noite de Natal.
Publicado por JJ às 09:10 AM | Comentários (1)
março 12, 2005
LUGARES IMAGINADOS
O nascimento de um filho é um momento de grande alegria. A vida ganha um novo sentido. A constituição de uma família traz consigo amor e felicidade, mas, também, desentendimentos e conflitos que se vivem no dia-a-dia (a vida é assim mesmo). O quotidiano provoca desencanto e, muitas vezes, torna as relações cinzentas. Em certas alturas parece que tudo vai descarrilar em direcção a rumos que não desejamos. Nesses momentos questionamos tudo e isso amargura-nos ainda mais. No entanto, é também nesses dias cinzentos que procuramos a cor do tal lugar imaginado, que falei no post anterior. O lugar da família feliz que preservamos no nosso intimo e que nos faz voltar a encarrilar. Talvez os denominados babyblogs, que proliferam na internet, sejam mais uma forma de representar esses lugares imaginados. São sítios doces que agarram à memória as coisas boas que ficam, e nos permitem regressar a elas sempre que necessitarmos.
Publicado por JJ às 02:09 PM | Comentários (1)
março 11, 2005
GARDEN STATE
Hoje o pai e a mãe conseguiram ir ao cinema. Vimos um filme muito interessante chamado “Garden State”. É a história de um regresso ao lugar da família depois de nove anos de ausência. Um regresso doloroso que aos poucos se torna uma redescoberta interior, despertada pelo retorno a esses mesmos lugares. Para a personagem principal o sentimento de família é provocado, sobretudo, pela saudade de um lugar imaginado (bonito e feio) que o faz ligar permanentemente a outras pessoas, apesar de todos os dramas e desentendimentos vividos em comum.
Publicado por JJ às 10:37 PM | Comentários (0)
março 10, 2005
A FAMÍLIA PAPEL HIGIÉNICO
Enquanto eu tomava banho ele lá ia fazendo as suas brincadeiras, falando sozinho. Às tantas diz-me enervado:
- Ó pai, não consigo rasgar bem o papel higiénico.
Do outro lado do chuveiro consegui dizer-lhe que tinha primeiro que encontrar o picotado e depois puxar, etc. e tal… Quando saí da banheira gritou em sobressalto, apontando para quatro pedaços de papel higiénico mal rasgados.
- Não pises, é a família. Não vês os pais e os filhos.
- Ah! Está bem.
Assim que abri a porta da WC os papéis deslocaram-se.
- Ahh! A família está a desaparecer, onde está o pai! Temos que procurá-lo.
Não tive alternativa, lá tive de me debruçar de cabeça para baixo à procura de mim mesmo (em formato papel higiénico).
Publicado por JJ às 08:59 PM | Comentários (1)
março 09, 2005
A DESCOBERTA DA LIBIDO
Final da tarde, regresso a casa, estacionar, abrir a porta do carro... e eis que surge esta observação:
- Espera pai. Não posso sair agora, tenho de ver a minha pilinha.
- O quê! A tua pilinha aqui dentro do carro. Mas porquê?
- Porque está a ficar grande.
Publicado por JJ às 04:13 PM | Comentários (8)
março 08, 2005
PARA A MINHA MULHER
Todos os dias são dias cheios de amor por ti.
Publicado por JJ às 09:09 AM | Comentários (0)
março 07, 2005
CLASSES SOCIAIS
Conversa ao final da tarde no carro:
-Pai, porque é que não compras um jipe?
- Porque o pai não tem dinheiro suficiente. Só as pessoas com mais dinheiro é que podem comprar jipes que são muito caros.
- Porquê?
- Filho, no mundo existem pessoas que têm muito dinheiro, são as pessoas ricas, existem outras que têm algum, são os mais ou menos, e ainda há aquelas que têm pouco, são os pobres. O pai é das pessoas mais ou menos, tem algum dinheiro mas não muito. Só os ricos podem comprar jipes.
- Então porque é que não compras uma carteira com dinheiro?
- Porque é muito cara.
- O avô deu-me uma carteira e tem lá três moedas. Eu dou-ta.
- Obrigado, filho.
Publicado por JJ às 08:07 PM | Comentários (3)
março 06, 2005
COMPRAS AO FIM-DE-SEMANA
Compras para a casa: é uma seca e uma canseira! Mas é daquelas coisas a que não se pode fugir: o frigorifico e a despensa pedem-nos constantemente assim que abrimos as respectivas portas e verificamos que falta isto e aquilo. E lá vamos nós. Aos fins-de-semana as grandes superfícies estão a abarrotar de gente cheia de ganas para consumir. E, ainda por cima, parece que estão todos loucos. São famílias inteiras, desde o avô ao neto, que se deslumbram e se digladiam por levar este ou aquele produto em vez do outro, porque é mais barato e muito útil lá para casa. As crianças entram no delírio completo e querem quase tudo o que vêem à frente, conforme as prateleiras que vão percorrendo. Os avós normalmente alinham com os netos. Os pais tendem a ser mais racionais, e lá vão argumentando e negociando como podem para que no final a conta não seja exorbitante. É um festival de excessos. O pior é que nós também fazemos parte desse excesso e somos tão palhaços como os outros. Já nos falaram do serviço ao domicílio, mas não somos suficientemente organizados para elaborar listas prévias. Há um certo lado de improvisação no acto de comprar que, devo confessar, até me agrada. Por isso, chegamos a um equilíbrio precário. Resolvemos deixar de ir às grandes superfícies, só vamos às pequenas e às médias que são menos cansativas e não se tornam mais caras: como têm menos variedade de produtos acabamos por só comprar aquilo que temos mesmo de comprar.
Publicado por JJ às 02:20 PM | Comentários (0)
março 05, 2005
DESABAFO LAMECHAS
Uma noite mal dormida. Fomos despertados por aquelas tosses secas que no meio do silêncio da madrugada ressoam nos ouvidos. Não foi nada de grave mas o suficiente para acordar. Nesta noite coube-me a tarefa de ir tapar a criança e pôr-lhe algumas gotinhas no nariz para descongestionar. Por isso, de manhã tive “direito” a ronronar mais um pouco, enquanto mãe e filho brincavam no quarto ao lado. É agradável “chonarmos” embalados pelos sons de criança: as muitas palavras que já sabe dizer, os gritinhos, os risinhos… Faz-nos felizes e ter esperança num mundo melhor. É lamechas, eu sei… mas sabe bem.
Publicado por JJ às 11:36 AM | Comentários (1)
março 04, 2005
O CANTINHO DO COCÓ
Quase quatro anos e ainda teima em pedir a fralda para fazer cocó (o chichi há mais de dois anos que faz na sanita). Já controla perfeitamente o tempo de fazer cocó, mas não dispensa o amparo da fraldinha. Assim, todas as manhãs depois do pequeno-almoço, ou ainda a meio quando já não aguenta mais, corre para o canto da cozinha e aqui vai disto. É sempre no mesmo sítio, tal como os cães que farejam sempre o mesmo local para fazer as necessidades. No entanto, há uma diferença fundamental em relação a esses animaizinhos de quatro patas, o nosso filho, como digno representante da espécie humana, faz a coisa de pé e não demora mais do que alguns segundos. É obra! Não é para qualquer um. A parte desagradável é que isto tudo se passa durante o nosso pequeno-almoço: ele começa e acaba primeiro. Assim entre uma dentada na torrada e um gole de leite lá temos que ir tirar a fralda… Mas como o hábito faz o monge, já nada afecta o nosso estômago e depois do trabalho feito voltamos ao ponto em que deixámos a torrada que, entretanto, já está fria.
Publicado por JJ às 08:34 AM | Comentários (0)
março 03, 2005
AS BIRRAS
As birras são o lado menos bonito das crianças. Quando começam entram numa espiral de desespero que, por vezes, nos deixam exasperados. Não é fácil manter a calma e ter toda a paciência necessária para enfrentar o rodopiar sem fim de movimentos esganiçados, acompanhados de uma gritaria ensurdecedora em vários timbres. Ficamos sempre perante um dilema: aparamos-lhe os golpes e ele cala-se, ou não cedemos e mantemos a contrariedade até ao fim. Se optamos por esta última situação temos de ser fortes e resistir às suas manobras detractoras. Em certas alturas fraquejamos, porque perdemos a calma ou porque acabamos por ceder. Contudo, independentemente do desfecho da intentona ficamos sempre com uma sensação de culpa que nos pesa o coração…
Publicado por JJ às 08:42 AM | Comentários (2)
março 02, 2005
A MIGALHA DESAPARECIDA
Muitas vezes as crianças lidam com os objectos como se estes tivessem uma identidade própria. Alguns destes objectos são verdadeiramente insignificantes, mas têm a importância suficiente para gerar autênticas crises de choro e de ansiedade. Hoje o meu pequenote afeiçoou-se a uma migalha, que acidentalmente transportou na camisola da cozinha para o quarto. Escusado será dizer que com as tropelias do despir e vestir a migalha desapareceu. Foi uma carga de trabalhos. Tinha de ser aquela migalha e não outra qualquer. Por quem é que nós o estaríamos a tomar: ele não é pessoa de trocar assim de migalha com a maior das facilidades. Onde está mmmiiiinnnhha migalha!!!
Publicado por JJ às 02:26 PM | Comentários (1)
março 01, 2005
FRIO PORTUGUÊS
Está frio em todo lado: em casa, nas escolas, nos locais de emprego... É horrível principalmente para as crianças que vão todas enchouriçadas para a escola. Parecem autênticos rolos de carne cobertos de roupa. Com tamanha armadura contra o frio mal de podem mexer. Cada passo é quase um tormento… E lá temos de as rebocar até ao carro e depois até à escola. Quando chegam já vão cansadas e o dia ainda mal começou. Como é duro ser criança no Inverno em Portugal!
Publicado por JJ às 02:51 PM | Comentários (0)
fevereiro 28, 2005
HOMENS QUE ENGORDAM, HOMENS QUE EMAGRECEM
Os homens dividem ou não as tarefas domésticas? Acho que actualmente deixou de haver um padrão que se possa generalizar a todas as situações. Contudo, considero que as coisas podiam ter evoluído mais rapidamente. Entre os homens da minha geração (trintões) tenho visto de tudo. E chego à conclusão de que o empenho nas lides domésticas não varia em função de certos critérios: por exemplo, ser de esquerda ou de direita (muitos dos homens mais conservadores em relação a este assunto até são de esquerda), ser religioso ou não, ser urbano ou rural, etc. No entanto, encontro um indicador verdadeiramente revelador a partir do qual é possível distinguir, sem grande margem de erro, os que trabalham e os que não fazem nada em casa. Assim, temos os homens que engordam com a vida conjugal e paternal e os outros que emagrecem. Os primeiros podem até ajudar em algumas tarefas, mas no essencial mantêm uma postura secundária em relação à maior parte das actividades e das decisões do lar: não dão banho às crianças sozinhos, não costumam cozinhar, não decidem das refeições, normalmente, não se levantam a meio da noite para dar o leite ao bebé… Os segundos fazem tudo isto e muito mais. Estão, por isso, em igualdade de circunstância com as mulheres. Não admira que emagreçam.
PS. Escusado será dizer em qual dos padrões me insiro.
Publicado por JJ às 06:42 PM | Comentários (2)
TIRA-SE O CHÃO DA ÀGUA
- Pai, anda ver…
- Que foi, fizeste alguma asneira na cozinha?
- Eu mostro-te.
-Aah! Derramaste a água do copo no chão. Olha para isto, tudo molhado! Isso não se faz, se querias beber água chamavas o pai ou a mãe.
- Não faz mal pai. Tiras o chão.
(desculpa Sandra apaguei por acidente o teu simpático comentário a este post: ainda sou novato nisto)
Publicado por JJ às 06:35 PM | Comentários (1)
fevereiro 27, 2005
DOMINGO EM FAMÍLIA
Hoje é Domingo! É por tradição o dia da família. Mas a tradição está a mudar, para além do Domingo, o dia da família também é ao Sábado, assim como, à Segunda, à Terça, à Quarta e, é claro, à Quinta e à Sexta... Como seria bom se às vezes a tradição não mudasse assim tanto.
Publicado por JJ às 09:26 AM | Comentários (0)
fevereiro 26, 2005
QUE DIA É HOJE?
Conversa matinal entre pais e filho:
- Que dia é hoje?
- É sábado.
- Hoje vou à escola?
- Não, hoje não se trabalha e a escola está fechada.
- E amanhã?
- Amanhã é domingo e também não vais à escola.
- E depois de amanhã?
- Depois de amanhã é segunda-feira, já é dia de ir à escola.
- Eu não quero ir.
- Porquê? Tu gostas de ir à escola! Da educadora, de brincar com os teus amigos, das actividades... Qual é actividade que gostas mais de fazer na escola?
- “Almochar”.
Publicado por JJ às 10:55 AM | Comentários (1)
fevereiro 25, 2005
ÁUREA
Faltam algumas semanas para nascer o segundo filho. A barriga da mãe cresce a olhos vistos. E tudo é cada vez mais pesado: as pernas, os pés, os braços. Os olhos vão encolhendo numas olheiras pronunciadas, os lábios secam com facilidade… Os movimentos tornam-se mais lentos e um pouco desengonçados. Mas, no entanto, dá-se um milagre: o corpo da mulher transforma-se numa áurea que erradia vida por todo o lado, tornando-o ainda mais gostoso.
Publicado por JJ às 04:45 PM | Comentários (0)
fevereiro 24, 2005
O GARFO AMARELO
Depois de um dia de trabalho chega o final da tarde e entramos noutro remoinho: buscar a criança, preparar o jantar, dar banho ao pequenote, comer (que é sempre um momento atribulado), lavar a loiça… As rotinas sucedem-se e se alguma coisa falhar ou não estiver conforme o previsto somos logo chamados à atenção. Por vezes, são coisas insignificantes que esquecemos ou que não damos importância, mas que para a criança são decisivas.
Altura do jantar:
- Não puseste o meu garfo na mesa!
- Sim, mas vais comer a sopa primeiro. Não precisas do garfo.
- Mas onde é que está o garfo?
- Vá, come lá a sopa que já te ponho o garfo.
- Não quero comer. Onde está o garfo!?!
- Pronto! Toma lá. Agora come.
- Não é este… é aquele amarelo.
- Mas esse é muito pequeno… Já não é para um menino crescido como tu.
- Mas eu quero esse.
Nesta altura já está na fase da pré-birra, prestes a atirar-se para o chão. Finalmente, lá pomos o respectivo garfo em cima da mesa e tudo volta ao normal. Assim, para precaver não nos esquecemos de pôr com antecedência o grafo amarelo na mesa. Mesmo que este já seja pequeno demais, obrigando-o a levar mais tempo a comer e a sujar-se (assim como ao resto da cozinha). Mas pelo menos comeu e não temos birra. Ser pai (e mãe) também é isto: negociar constantemente medindo os prós e os contras. Na verdade, mais vale ele comer sem fazer birra, apesar de ficarmos com a cozinha num mísero estado, do que termos de aturar uma birra infernal e ainda por cima ficar sem comer.
Publicado por JJ às 02:19 PM | Comentários (0)
fevereiro 23, 2005
CONVERSAS DE COCÓ
A partir do momento em que somos pais uma matéria passa a fazer parte das nossas vidas: o cocó da criança. Desde os primeiros meses assistimos à evolução das diversas formas desta substância. O tom quase incolor dos tempos de bebé cede lugar a uma substância poderosa em todos os sentidos: visuais, olfactivos e também ao nível do tacto (algumas vezes lá desliza a nossa mão na fralda e “trás” enterramos os dedos na matéria). Quando o cocó é consistente de formato cilíndrico ficamos aliviados: o rabinho pouco se suja e a fralda enrola-se logo e atira-se directamente para o lixo. Mas quando a substância é pastosa ou quase liquida, não temos outro remédio senão reter a respiração nasal e mãos à obra.
O cocó passa a ser assunto habitual de conversa entre os pais nos locais mais inapropriados. Como nos restaurantes depois de uma mudança de fralda atribulada naquelas pequenas casas de banho dos fundos, que mal espaço têm para uma só pessoa:
- Então viste o cocó?
- O que é que achas!
- Continua com aquele tom verde?
- Não, já está mais acastanhado e menos líquido.
- E o cheiro?
- Ainda é um pouco azedo.
- Que chatice, temos de continuar a dar-lhe arroz.
Publicado por JJ às 01:53 PM | Comentários (2)
fevereiro 22, 2005
RESCALDO DAS ELEIÇÕES
Conversa matinal no carro:
- Olha ali o Primeiro Ministro (apontando para um cartaz de Santana Lopes).
- Não filho, agora o Primeiro Ministro é o José Sócrates. O Santana Lopes já não é Primeiro Ministro porque perdeu as eleições.
- Bem feito! Ele parece que está zangado.
- Deve estar…
- E o Presidente da República, não aparece?
- Ele agora tem estado sossegado, talvez hoje já apareça na TV.
- Se calhar está a dormir a sesta.
- Não filho, essa é mais uma especialidade do Santana Lopes.
Publicado por JJ às 10:39 AM | Comentários (1)
fevereiro 21, 2005
ACORDAR E ADORMECER
Depois de uma noite invulgar de esperança na viragem, voltámos à rotina da semana: vestir e despir a criança, arrancar e estacionar o carro, ligar e desligar o computador, sujar e lavar os pratos… Chegamos ao fim da dia e esfumou-se a ilusão de alguma coisa mudar e quebrar o ciclo do quotidiano... Enfim, talvez alguma coisa mude no país.
Publicado por JJ às 08:15 PM | Comentários (1)
fevereiro 20, 2005
UM DIREITO PARA TODOS
Porque é que eu não voto? Perguntou um cidadão de três anos e meio.
Publicado por JJ às 05:56 PM | Comentários (1)
fevereiro 19, 2005
SOSSEGO
Os avós são cada vez mais indispensáveis. Neste dia de reflexão lá ficaram com neto para que descansássemos um pouco das azafamas do dia-a-dia. De repente a casa ficou vazia de barulho e de tropelias. É bom sentir algum sossego, acordar mais tarde, tomar banho com tempo, ler o jornal e ir ao cinema… Mas, por outro lado, sente-se a falta de cor e, de vez em quando, imaginamos a presença daquele brilhozinho nos olhos.
Publicado por JJ às 12:14 PM | Comentários (0)
fevereiro 18, 2005
A ESCOLHA DE SER PAI
Hoje perguntaram-me que impulso senti para querer ser pai. Fiquei a pensar e não dei uma reposta imediata. Penso que ser pai é mais uma descoberta do que um desejo à priori. As mulheres sentem-se logo mães quando que se gera o feto: é uma sensação física e psicológica muito forte. Eu diria mesmo que elas já se vão sentindo mães assim que o casal decide ter uma criança.
No caso dos homens não existe esse impulso arrebatador, mas um desejo que gradualmente vai crescendo e que se torna muito forte no momento em que a criança vem ao mundo. Decidir ter o primeiro filho é um acto romântico e de esperança: gerar vida é gerar esperança. É uma paixão que vamos descobrindo e que nos consome a partir do momento em que ele nasce. Por isso é difícil racionalizar os motivos que nos levaram a ser pais. São sentimentos diversificados e difíceis de explicar.
Publicado por JJ às 04:52 PM | Comentários (0)
fevereiro 17, 2005
PARA ALÉM DA ESQUERDA E DA DIREITA
Conversa no carro a caminho do infantário:
- Pai, olha ali Sr. “Franchisco”.
- Quem?
- O Sr. “Franchisco”, aquele com óculos.
- Ah! O Francisco Louçã naquele cartaz.
- E quem é aquele?
- Aquele é o José Sócrates e o outro é o Santana Lopes. Mas o pai não gosta do Santana Lopes.
- Porquê?
- Fez coisas más.
- Eu gosto do Francisco “Louchã” e do Santana “Opes”.
Publicado por JJ às 09:31 PM | Comentários (1)
O INSTINTO PATERNAL
A partir do momento em que somos pais, os nossos sentidos mudam. Pelo menos tendem a focalizar-se constantemente em direcção a um ponto: o nosso filho. Passamos a dormir com o ouvido no berço. O modo como respira, como se movimenta. São sons que vamos controlando na nossa cabeça. E assim que surge algum barulho menos familiar levantamos logo os olhos. São actos quase mecânicos e não são exclusivos das mães. Se existe instinto maternal então também haverá o instinto paternal. Passamos a pressentir e, por vezes, quase a antecipar quando ele acorda, ou quando tosse, ou espirra… Muitos homens começam a descobrir esse tal instinto. Não, pelo facto de lhes ter sido atribuído qualquer dom. Mas porque conseguem implicar-se física e emocionalmente no cuidado dos filhos, da mesma forma como as mães fazem.
Publicado por JJ às 10:28 AM | Comentários (0)
fevereiro 15, 2005
A CHUCHA NO LIXO
As crianças são capazes de fazer coisas completamente inesperadas. Hoje o meu filho que já caminha para os quatro anos resolveu deixar a chucha de vez. Tomou a iniciativa de deita-la para o caixote do lixo. Claro que havia alguma coisa em troca: tínhamos prometido oferecer-lhe um brinquedo que ele há muito pedia caso deixasse o tal objecto. Ficou a matutar no assunto até ao dia que resolveu tomar uma medida drástica. Ficámos espantados com a atitude. De facto, por vezes basta esperar com alguma paciência que eles tomem a iniciativa. Pode levar tempo, mas chegam lá. Muitas vezes exageramos na pressão, estipulam-se horizontes temporais como se as crianças fossem todas iguais: tirar a chucha e a fralda antes dos três anos, começar a fazer cocó e chichi no bacio a partir dos dois anos… A educadora, o pediatra, os livros assim o dizem. E nós lá vamos na conversa. Mas as crianças nem por isso. Enrolam-nos de uma maneira e arranjam cada estratagema que ficamos sem saber o que fazer. E de repente decidem deixar de fazer chichi nas cuecas, de começar a comer sozinhos… Enfim, acabamos por chegar à conclusão que teria sido mais fácil, para nós e para eles, se não tivéssemos pressionado tanto.
Publicado por JJ às 05:58 PM | Comentários (0)
fevereiro 14, 2005
PARAR
Vou ser novamente pai daqui a uns meses. A espera pelo segundo filho é diferente: estamos mais maduros, enfim, para não dizer mais velhos, mais cansados e menos deslumbrados. A gravidez é vivida com mais naturalidade, torna-se quase quotidiana não fora a barriga crescer e fazer-nos sentir pelo tacto os pontapés e as “mexidelas” do bebé. Neste aspecto é um pouco injusto para o ser que aí vem. Opta-se por ter uma nova criança por motivos mais terrenos e menos românticos: não queremos filhos únicos, gostaríamos de ter um casal, contribuímos assim para a renovação das gerações... Parece quase uma questão cívica. Pronto! Cumprimos o nosso dever.
Por outro lado, o segundo filho levanta novas dúvidas e ansiedades: é mais uma boca para alimentar. Será que conseguimos manter o emprego? Caso não, conseguiremos viver de um salário? Infelizmente são questões que atormentam muitos dos meus amigos que também têm filhos. É uma merda…
Mas apesar de tudo isto optámos por ter mais um. Parece quase um acto corajoso. Pois, para mal dos nossos pecados esta nossa vida dita pós-moderna não se coaduna lá muito com as exigências paternais e maternais. Enfim, e não foi sempre assim… Pelo menos nestes dias que correm ainda conseguimos parar um bocadinho e apreciar o crescimento dos nossos rebentos. Na verdade, é preciso saber parar. Esse é quanto a mim o segredo mais importante e decisivo da paternidade: parar para que algo permaneça.
Publicado por JJ às 08:54 PM | Comentários (0)
fevereiro 13, 2005
NOVE MESES
Durante nove meses vemos a barriga a crescer. Sabemos que está lá dentro uma vida, algo que saiu de nós. Confrontamo-nos como isso quando no consultório do médico assistimos, na cadeira guardada para os pais, aos movimentos das perninhas e dos bracinhos no ecrã da máquina que faz a ecografia. O nosso primeiro olhar para o rebento dá-se por intermédio de um ecrã. Ainda por cima a preto e branco e com uma resolução nublada e cheia de pontinhos. Lá vamos acompanhando a digressão do médico e tentamos vislumbrar cada membro, órgão…
E depois chega a pergunta inevitável:
- Oh! Dr. é menina ou menino?
- Oh! meu caro, não vê ali uma pilinha?
- Ah! Pois, está ali. Não há dúvidas.
- Este vai ser rapaz, a menos que o badalo caia.
E pronto ficamos felizes e esperamos mais uns meses. Até que de repente nos vemos com um ser nas mãos. E depois… Bem, depois nem temos tempo para pensar muito.
Publicado por JJ às 10:01 PM | Comentários (0)
PAI TRINTÃO
Este blog pretende ser um diário das desventuras e trivialidades de um pai trintão. Já sou pai há mais de três anos e tem sido uma experiência indescritível. Não é fácil ser pai nos dias de hoje. Mas também penso que actualmente se vive a paternidade em Portugal como até agora nenhuma outra geração o tinha experimentado.
Com o nascimento de um filho a nossa vida muda. Toda a gente sabe isso. Mas se antes o homem se mantinha relativamente distante de algumas tarefas, responsabilidades e capacidades. Actualmente implica-se até à medula dos ossos. E isso é muito bom. Contudo, é também por isso que se geram novas questões, conflitos e negociações no seio do casal, da família e dos amigos. O homem passou a ter opinião sobre quase tudo: desde a roupa a comprar, passando pela melhor forma de dar banho e de vestir o bebé, até à confecção das refeições. Em tudo o homem passou a assumir um papel activo.
Poucos homens falam destas coisas, é ainda um assunto para as mães. É ainda um assunto que gera silêncios por parte dos pais, que muitas vezes se encontram desnorteados e sem saber o que fazer e o que sentir.
Publicado por JJ às 07:47 PM | Comentários (1)